O Brasil na tela
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Marcelo Bernardes Especial para Agência Estado 
DivulgaçãoSérgio Mamberti e Marisa Orth, em Doces Poderes
O drama político Doces Poderes, de Lúcia Murat, e o documentário O Sertão das Memórias, de José Araújo, vão representar o Brasil na mostra de produções internacionais dentro do Festival de Sundance, que ocorre em Salt Lake City, Utah, entre 16 e 26 deste mês. O anúncio dos participantes da edição 1997 do festival foi feito por seu diretor, Geoffrey Gilmore.
Criado em 1980 pelo ator Robert Redford, o Festival de Sundance tem a política de descobrir, desenvolver e treinar diretores principiantes com poucas chances de entrar no circuito comercial. Desde sua primeira edição, o evento vem conseguindo quebrar essa barreira graças ao entusiasmo dos produtores de grandes estúdios em adquirir filmes das mostras para o mercado americano. Este ano, dois hits do festival - The Spitfire Grill e Shine - alcançaram o mainstream de Hollywood, ao ser comprados pela Columbia Pictures e Buena Vista, respectivamente. As duas produções, que estréiam em breve no Brasil, têm grandes chances de conseguir indicações para o Oscar.
Há alguns anos, falava-se que o cinema independente estava morto, explica Gilmore. Em 1994, recebíamos 250 inscrições de cineastas para nossa competição oficial, prossegue. Ficamos impressionados: de onde tem saído tanto filme assim e onde foi parar tal crise?
Inscrições recordes - A edição 1997 do festival teve recorde de inscrições: 800 longas-metragens. Desses, 127 foram escolhidos para a competição oficial, premieres e mostras paralelas, que incluem uma retrospectiva da obra do cineasta Reiner Werner Fassbinder, com a exibição de oito de seus filmes. A partir do dia 16, 18 novos cineastas estarão disputando o prêmio principal do evento com temas que variam do homossexualismo e o cenário feminino musical de Seattle a dramas sobre loucura e conflitos familiares.
Além da competição oficial, outra grande atração do festival é a mostra não-competitiva. O drama cômico Brassed Off, de Mark Kerman, com Ewan McGregor (de Trainspotting - Sem Limites), abre o Sundance. Também são atrações fora de competição novos filmes de Richard Linklater, SubUrbia, uma adaptação da peça de Eric Bogosian; de Tom DiCillo, Box of Moonlight; de David Lynch, The Lost Highway; de Robert Downey Sr. (pai de Robert Downey Jr.), Hugo Pool, com Sean Penn, Downey Jr. e Cathy Moriarty.
Um dos filmes mais esperados, entretanto, é a adaptação da peça de Terrence McNally, Love! Valour! Compassion!, com Jason Alexander reprisando papel que foi de Nathan Lane na Broadway. Dirigido por Joe Mantello, o filme provocou polêmica recentemente depois que o magnata das comunicações, Ted Turner, condenou os executivos da Fine Line Pictures, um dos braços de seu conglomerado de entretenimento, de ter adquirido a produção que lida com temas homossexuais. Outro candidato a cult é Gridlockd, de Vondie Curtis Hall, último filme do rapper Tupac Shakur, que interpreta, ao lado de Tim Roth, viciado em heroína que tenta largar o vício.
Na mostra internacional, além dos filmes de Lucia Murat e José Araújo, estarão sendo exibidos Children of Revolution, do australiano Peter Duncan, Prefeito Édipo, do colombiano Jorge Ali Triana (que representa o país no próximo Oscar), Temptress Moon, do chinês Chen Kaige, e Prisioneiro das Montanhas, de Sergei Bodrov, representante da Rússia no Oscar. Parte da atração das sessões da meia-noite está o relançamento de Pink Flamingos, de John Waters, e o filme mais caro a ser exibido em Sundance, a ficção científica inglesa Space Trucks, de Stuar Gordon, com Dennis Hopper.


