O Brasil na tela
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quinta-feira, 03 de abril de 1997
Luiz Zanin Oricchio Agência Estado 
Estevam Avellar/Arquivo FolhaCena de Quem Matou Pixote?, de José JoffilyQuatro longas-metragens brasileiros participam do 13º Festival do Filme Latino, que acontece de hoje ao dia 14, em Chicago: Quem Matou Pixote?, de José Joffily, Corisco e Dadá, de Rosemberg Cariry, Como Nascem os Anjos, de Murilo Salles, e Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral. Será prestada homenagem ao cineasta Leon Hirszman, falecido em 1987, com a exibição de Eles Não Usam Black-Tie.
A participação brasileira em Chicago não pára por aí. Segue também um pacote de curtas-metragens, com títulos como A Escada, de Philippe Barcinski, A Alma do Negócio, de José Roberto Torero, Brasil, o Novo Mundo de Albert Eckhout, de Omar F. Aly, Brevíssima História das Gentes de Santos, de André Klotzel, Deus Ex-Machina, de Carlos Gerbase, Negócio da China, de João Vargas Penna, e Vencido, de Flávio Frederico.
Esta edição do festival latino de Chicago cresceu em relação às anteriores: neste ano serão apresentados cerca de 100 trabalhos (em longa e curta-metragem), vindos de 17 países diferentes. Uma ampliação considerável para um evento que começou modestamente, como gosta de lembrar seu organizador, o colombiano Pepe Vargas, radicado há 20 anos nos Estados Unidos: A primeira mostra limitou-se a 14 filmes, projetados contra uma parede branca, com público total de 500 pessoas.
Inéditos Neste ano a situação é bem diferente. Pepe Vargas pode comemorar não apenas o aumento no número de títulos e platéia (espera-se 25 mil espectadores para os 11 dias do festival), como um novo nível em termos de qualidade. Muitos dos filmes a serem apresentados nos Estados Unidos são inéditos, como os do Brasil, país latino e vizinho dos produtores, e os da Argentina, nosso parceiro no Mercosul e cuja cinematografia continua, em boa parte, inédita por aqui. À exceção de Eva Perón, de Juan Carlos Desanzo, programado para a abertura do festival, que continua em cartaz em São Paulo, todos os outros títulos argentinos são desconhecidos no Brasil (e mesmo em outros importantes festivais latinos, como o de Havana): El Verso, de Santiago Carlos Oves, SOS Gulubú, de Susana Tozzi, Flores Amarillas em la Ventana, de Victor Jorge Ruiz, e Besos em la Frente, de Carlos Galettini.
Da rara cinematografia chilena, Chicago conseguiu convidar dois longas: Mi Ultimo Hombre, de Tatiana Gaviola, e Historias del Fútbol, de Andrés Wood. A Colômbia vai de Edipo Alcalde, de Jorge Ali Triana, filme que tem roteiro do brasileiro Orlando Senna, Ilona Llega con la Lluvia, de Sergio Cabrera, e La Nave de los Sue¤os, de Ciro Durán. Os dois primeiros concorreram em Gramado, mas, claro, nunca entraram em circuito comercial no País. Cuba chega com Melodrama, de Rolando Díaz, e o documentário Yo Soy del Son a la Salsa, de Rigoberto López Pego. Com esse filme, Rigoberto ganhou Havana no gênero documental e poderá ser visto no Brasil durante o 2º Festival Internacional de Documentários Its All True, que começa hoje no Rio e segunda-feira em São Paulo. Há também duas co-produções cubanas: uma com a Suíça, Ricardo Miriam y Fidel, de Christian Frei, e outra com os Estados Unidos, Mariposas en el Andamio.
Homenagem Cuba será homenageada com uma retrospectiva de Tomás Gutiérrez Alea, o mais importante cineasta da ilha, e um dos mais representativos do continente. Alea, que morreu em Havana durante a realização do Festival de Chicago do ano passado, será lembrado com títulos como A Última Ceia, A Morte de um Burocrata, Memórias do Subdesenvolvimento, e os dois últimos, em parceria com Juan Carlos Tabío, Morango e Chocolate e Guantanamera.
A cinematografia mexicana vem com quatro representantes: El Anzuelo, de Ernesto Rimoch, Sobrenatural, de Daniel Gruener, Velo Negro, de Arjanne Laan, e Julio y su Angel, de Jorge Cervera Jr. O Equador comparece com apenas um título, Entre Marx y una Mujer Desnuda, de Camilo Luzuriaga. O Peru também traz só um filme, mas de alta qualidade: Bajo la Piel, Coral de Prata em Havana e já convidado para o Festival de Gramado, que se realiza em agosto. Seu diretor, Francisco Lombardi, é autor de obras contundentes como Boca de Lobo e Caídos do Céu, ambas inéditas no circuito comercial, mas já exibidas pela TV Cultura. Bajo la Piel é um thriller que, em sua trama, desvenda a realidade política do interior peruano. Belo filme.
Europa Os europeus também se fazem representar em Chicago. Portugal traz Mortinho por Chegar a Casa, de Carlos da Silva e George Sluizer, e Adão e Eva, de Joaquim Leitão. A Espanha vem com Tu Nombre Envenena Mis Sue¤os, de Pilar Miró, Tierra, de Julio Medem, Hola, Estás Sola?, de Icíar Bollaín, Las Bicicletas Son para el Verano, de Jaime Chavarri, Entre Rojas, de Azucena Rodrígues, e Raza, de Sáenz de Heredia. O Uruguai, que normalmente não produz, aparece em Chicago com Gardel, Ecos del Silencio, de Pablo Rodriguez. O filme defende a tese que Carlos Gardel - uma das instituições argentinas ao lado de Evita, Maradona e o mate á- teria, na realidade, nascido num povoado uruguaio.
A Venezuela, também renascida das cinzas, comparece com três longas: Tokyo Paraguaipoa, de Leonardo Henriquez, Santera, de Solveig Hoogesteijn, e Aire Libre, de Luiz Armando Roche. Há, ainda, dois títulos norte-americanos de temática latina: Destination Unknown, de Nestor Miranda, e Lenas Dream, de Heather Johnston e Gordon Eriksen.


