Estevam Avellar/Arquivo FolhaCena de ‘‘Quem Matou Pixote?’’, de José JoffilyQuatro longas-metragens brasileiros participam do 13º Festival do Filme Latino, que acontece de hoje ao dia 14, em Chicago: ‘‘Quem Matou Pixote?’’, de José Joffily, ‘‘Corisco e Dadᒒ, de Rosemberg Cariry, ‘‘Como Nascem os Anjos’’, de Murilo Salles, e ‘‘Um Céu de Estrelas’’, de Tata Amaral. Será prestada homenagem ao cineasta Leon Hirszman, falecido em 1987, com a exibição de ‘‘Eles Não Usam Black-Tie’’.
A participação brasileira em Chicago não pára por aí. Segue também um pacote de curtas-metragens, com títulos como ‘‘A Escada’’, de Philippe Barcinski, ‘‘A Alma do Negócio’’, de José Roberto Torero, ‘‘Brasil, o Novo Mundo de Albert Eckhout’’, de Omar F. Aly, ‘‘Brevíssima História das Gentes de Santos’’, de André Klotzel, ‘‘Deus Ex-Machina’’, de Carlos Gerbase, ‘‘Negócio da China’’, de João Vargas Penna, e ‘‘Vencido’’, de Flávio Frederico.
Esta edição do festival latino de Chicago cresceu em relação às anteriores: neste ano serão apresentados cerca de 100 trabalhos (em longa e curta-metragem), vindos de 17 países diferentes. Uma ampliação considerável para um evento que começou modestamente, como gosta de lembrar seu organizador, o colombiano Pepe Vargas, radicado há 20 anos nos Estados Unidos: ‘‘A primeira mostra limitou-se a 14 filmes, projetados contra uma parede branca, com público total de 500 pessoas’’.
Inéditos Neste ano a situação é bem diferente. Pepe Vargas pode comemorar não apenas o aumento no número de títulos e platéia (espera-se 25 mil espectadores para os 11 dias do festival), como um novo nível em termos de qualidade. Muitos dos filmes a serem apresentados nos Estados Unidos são inéditos, como os do Brasil, país latino e vizinho dos produtores, e os da Argentina, nosso parceiro no Mercosul e cuja cinematografia continua, em boa parte, inédita por aqui. À exceção de ‘‘Eva Perón’’, de Juan Carlos Desanzo, programado para a abertura do festival, que continua em cartaz em São Paulo, todos os outros títulos argentinos são desconhecidos no Brasil (e mesmo em outros importantes festivais latinos, como o de Havana): ‘‘El Verso’’, de Santiago Carlos Oves, ‘‘SOS Gulubú’’, de Susana Tozzi, ‘‘Flores Amarillas em la Ventana’’, de Victor Jorge Ruiz, e ‘‘Besos em la Frente’’, de Carlos Galettini.
Da rara cinematografia chilena, Chicago conseguiu convidar dois longas: ‘‘Mi Ultimo Hombre’’, de Tatiana Gaviola, e ‘‘Historias del Fútbol’’, de Andrés Wood. A Colômbia vai de ‘‘Edipo Alcalde’’, de Jorge Ali Triana, filme que tem roteiro do brasileiro Orlando Senna, ‘‘Ilona Llega con la Lluvia’’, de Sergio Cabrera, e ‘‘La Nave de los Sue¤os’’, de Ciro Durán. Os dois primeiros concorreram em Gramado, mas, claro, nunca entraram em circuito comercial no País. Cuba chega com ‘‘Melodrama’’, de Rolando Díaz, e o documentário ‘‘Yo Soy del Son a la Salsa’’, de Rigoberto López Pego. Com esse filme, Rigoberto ganhou Havana no gênero documental e poderá ser visto no Brasil durante o 2º Festival Internacional de Documentários ‘‘It’s All True’’, que começa hoje no Rio e segunda-feira em São Paulo. Há também duas co-produções cubanas: uma com a Suíça, ‘‘Ricardo Miriam y Fidel’’, de Christian Frei, e outra com os Estados Unidos, ‘‘Mariposas en el Andamio’’.
Homenagem Cuba será homenageada com uma retrospectiva de Tomás Gutiérrez Alea, o mais importante cineasta da ilha, e um dos mais representativos do continente. Alea, que morreu em Havana durante a realização do Festival de Chicago do ano passado, será lembrado com títulos como ‘‘A Última Ceia’’, ‘‘A Morte de um Burocrata’’, ‘‘Memórias do Subdesenvolvimento’’, e os dois últimos, em parceria com Juan Carlos Tabío, ‘‘Morango e Chocolate’’ e ‘‘Guantanamera’’.
A cinematografia mexicana vem com quatro representantes: ‘‘El Anzuelo’’, de Ernesto Rimoch, ‘‘Sobrenatural’’, de Daniel Gruener, ‘‘Velo Negro’’, de Arjanne Laan, e ‘‘Julio y su Angel’’, de Jorge Cervera Jr. O Equador comparece com apenas um título, ‘‘Entre Marx y una Mujer Desnuda’’, de Camilo Luzuriaga. O Peru também traz só um filme, mas de alta qualidade: ‘‘Bajo la Piel’’, Coral de Prata em Havana e já convidado para o Festival de Gramado, que se realiza em agosto. Seu diretor, Francisco Lombardi, é autor de obras contundentes como ‘‘Boca de Lobo’’ e ‘‘Caídos do Céu’’, ambas inéditas no circuito comercial, mas já exibidas pela TV Cultura. ‘‘Bajo la Piel’’ é um thriller que, em sua trama, desvenda a realidade política do interior peruano. Belo filme.
Europa Os europeus também se fazem representar em Chicago. Portugal traz ‘‘Mortinho por Chegar a Casa’’, de Carlos da Silva e George Sluizer, e ‘‘Adão e Eva’’, de Joaquim Leitão. A Espanha vem com ‘‘Tu Nombre Envenena Mis Sue¤os’’, de Pilar Miró, ‘‘Tierra’’, de Julio Medem, ‘‘Hola, Estás Sola?’’, de Icíar Bollaín, ‘‘Las Bicicletas Son para el Verano’’, de Jaime Chavarri, ‘‘Entre Rojas’’, de Azucena Rodrígues, e ‘‘Raza’’, de Sáenz de Heredia. O Uruguai, que normalmente não produz, aparece em Chicago com ‘‘Gardel, Ecos del Silencio’’, de Pablo Rodriguez. O filme defende a tese que Carlos Gardel - uma das instituições argentinas ao lado de Evita, Maradona e o mate á- teria, na realidade, nascido num povoado uruguaio.
A Venezuela, também renascida das cinzas, comparece com três longas: ‘‘Tokyo Paraguaipoa’’, de Leonardo Henriquez, ‘‘Santera’’, de Solveig Hoogesteijn, e ‘‘Aire Libre’’, de Luiz Armando Roche. Há, ainda, dois títulos norte-americanos de temática latina: ‘‘Destination Unknown’’, de Nestor Miranda, e ‘‘Lena’s Dream’’, de Heather Johnston e Gordon Eriksen.

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