O Brasil mostra a cara
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Rosângela Vale Londrina 
DivulgaçãoA baiana Bárbara Araújo: primeira colocada no Dakota Elite Model Look 97A ascenção dos negros no mundo da moda não é exclusividade dos Estados Unidos. No Brasil, o fenômeno é mais recente, mas começa a ganhar força. A prova de que os tempos estão mudando foi a vitória de uma negra na final nacional do Dakota Elite Model Look, que aconteceu mês passado, em São Paulo. A baiana Bárbara Araújo vai participar da etapa internacional do concurso em setembro, na França, concorrendo com beldades de todo o mundo.
Bárbara não foi a primeira negra a vencer um concurso da Elite. A baiana Cláudia Menezes ganhou em 94, e a mineira Danuza Braga, em 90, provando que essa década é divisora de águas para o mercado de moda no País. Estão começando a levar a sério o negro como consumidor, diz Marcos Pantera, diretor da agência de modelos Mega. Segundo ele, isso se confirma nas passarelas e na televisão. Hoje há mais modelos negros em desfiles e em comerciais, observa.
DivulgaçãoMas a igualdade de oportunidades de trabalho ainda está longe de ser alcançada. Apesar do atual aumento de modelos negros nos castings das grandes agências, a desproporção é generalizada. Dos 120 modelos fixos agenciados pela Elite em São Paulo, menos de 10 são negros. Na Ford, eles somam cinco. Acho que poderia ser mais equilibrado, mas isso é um reflexo do mercado, justifica Mônica Monteiro, do departamento de New Faces da Elite. Segundo ela, é muito raro as revistas requisitarem modelos negros para suas capas, apesar de já começarem a tê-los com mais frequência em seus editoriais.
O espaço nas revistas está se abrindo quando o assunto é beleza, cabelos e maquiagem, diz Rita de Cássia Santos, proprietária da New Company Black Models, uma agência paulistana especializada em modelos negros. Com três anos e meio de existência, a agência conta com 80 modelos cadastrados, 30 deles atuantes no mercado. Mas nem sempre foi assim. No começo, eu tinha dificuldade até de mandar material de divulgação para os clientes. Eles não se interessavam. Hoje eu quase não dou conta de mandar tudo o que é solicitado, ressalta.
DivulgaçãoTaiguara e Alessandra Lima durante desfile do MorumbiFashion: nova safraAs maiores responsáveis por essa valorização da estética black são as revistas dirigidas ao público negro. A Raça Brasil, primeira do gênero, completa um ano no próximo mês e já alcançou a tiragem de 200 mil exemplares mensais. De acordo com Margareth Tagliapietra, coordenadora de produção da revista, os editoriais de moda são feitos com modelos experientes, mas para outros tipos de matérias busca-se rostos desconhecidos. Queremos lançar gente nova no mercado, mostrar que existem muitos negros lindos no Brasil, diz.
DivulgaçãoCris Ribeiro, uma das mais bem-sucedidas modelos negras do Brasil


