Albari Rosa/Arquivo FolhaWalter Lima Júnior (em primeiro plano), leva o seu ‘‘A Ostra e o Vento’’ à competição internacionalUm único filme da América Latina, ‘‘A Ostra e o Vento’’, do brasileiro Walter Lima Jr., estará em concurso no 54º Festival Internacional do Cinema de Veneza (27 de agosto a 6 de setembro), qualificada como uma das ‘‘menos comerciais’’ dos últimos anos pela numerosa presença de filmes de autor, segundo se informou hoje numa entrevista à imprensa.
Durante a entrevista, o curador da mostra, Felice Laudadio, ilustrou os critérios com que foram escolhidos os 18 filmes em concurso. ‘‘Movemo-nos fora do star-system , rejeitamos obras modestas de grandes divas e também as mecanicamente de autor. Com lamento, excluímos ainda obras de importantes diretores, mas que eram de baixo nível’’, disse.
O filme do brasileiro, definido como uma obra inovadora e rodada na Ilha do Mel, com Lima Duarte, Fernando Torres e Leandra Leal, competirá junto com dois filmes considerados de grande atualidade e que antecipam de alguma maneira a realidade, o espanhol ‘‘Às Cegas’’, do basco Daniel Calparsoro, e o irlandês ‘‘O Informante’’, de Jim McBride, sobre as contradições do terrorismo.
A mostra será inaugurada com o último e poético filme de Woody Allen, inspirado em sua própria vida, ‘‘Deconstructing Harry’’, com Demi Moore, Robin Williams e o próprio Allen como protagonistas.
‘‘Wood Allen volta ao extraordinário nível de anos atrás e os surpreenderá com incríveis efeitos especiais’’, disse o diretor, que fez a seleção depois de ter visto mais de 300 filmes produzidos em todo o mundo nos últimos dois meses.
A busca da qualidade, o gosto pelas descobertas, detectar um projeto fílmico inovador em correspondência com as expectativas do público, foram critérios reiterados por Laudadio, em evidente polêmica com seu antecessor, o cineasta Gillo Pontecorvo, que no ano passado convidou principalmente grandes nomes do cinema internacional.
Na secção ‘‘Officina Veneziana’’, participa outro longa-metragem brasileiro, ‘‘Miramar’’, de Julio Bressane, com João Bebello e Giulia Gam, enquanto o cinema independente norte-americano, chinês e algumas produções árabes dominam nas outras seções do festival.
‘‘Não será uma mostra para fotógrafos’’, afirmou Laudadio, que não quis convidar grandes atores e que assume toda a responsabilidade pelo ‘‘rigor cinematográfico’’ utilizado depois da ‘‘desilusão do Festival de Cannes’’, declarou.
KubrickUma homenagem a Stanley Kubrick, lenda viva do cinema, será organizada com a projeção de 13 filmes, desde ‘‘Varry Lindon’’ até ‘‘2001: Uma Odisséia no Espaço’’, incluindo o que está atualmente sendo rodado, assim como uma nova edição da fantástica ‘‘Laranja Mecânica’’.
Este ano os organizadores montarão uma gigantesca tenda, que alojará 1.100 pessoas. Assim, no Lido de Veneza, nascerá uma espécie de ‘‘cidadela’’ para os amantes da sétima arte e as atividades serão concentradas nas salas de projeção em vez dos salões dos hotéis de luxo.
Para a seção Mezzogiorno (Meio-dia), dedicada ao chamado cinema de fronteira e de pesquisa, foram selecionados filmes ‘‘antiacadêmicos’’, segundo seu responsável, Roberto Silvestri, que viu produções argentinas, mexicanas, colombianas e brasileiras, mas no final decidiu escolher filmes árabes e espanhóis, como o argelino ‘‘100% Arábica’’ de Mahmoud Zemmori, ou o espanhol produzido por Wim Wenders ‘‘Go for Gold’’, de Lucian Segura.
‘‘É verdade, este ano não há tanta presença de cinema latino-americano e isto é lamentável’’, declarou Silvestri à AFP.
O festival terminará no dia 6 de setembro, com a projeção do filme ‘‘Ricardo III’’, rodado em 1912 com música da orquestra de Toscanini, depois da atribuição do ‘‘Leão de Ouro à carreira’’ do ator francês Gerard Depardieu, do norte-americano Stanley Kubrick e da atriz italiana Alida Valli.

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