A história do Brasil nos últimos dois séculos foi contada de forma atraente, ágil e colorida pelas revistas nacionais. Desde a primeira edição de ‘‘As Variedades’’, em 1812, milhares já foram lançadas. A maioria delas está agora reunida numa única publicação, o livro ‘‘A Revista no Brasil’’, que acaba de sair pela Editora Abril. São 900 imagens, entre capas, ilustrações e fotos de destaque, que dispensam qualquer palavra para narrar a mais recente trajetória do País.
Basta uma rápida folheada no livro para não querer mais largá-lo. O árduo trabalho que consumiu dois anos de pesquisa de dezenas de bibliotecários, fotógrafos, jornalistas, designers e especialistas em tipografia e iconografia valeu a pena. Acontecimentos históricos, cenas cotidianas, ídolos, e vilões brasileiros foram congelados para sempre em 250 páginas.
Nelas estão estampados os principais fatos da vida política e social do Brasil, como a Abolição dos Escravos segundo o genial traço de Agostini na capa da revista ‘‘Illustrada’’, as artimanhas de Getúlio Vargas caricaturadas por J.Carlos nas páginas da ‘‘Careta’’, a descoberta dos índios Xavantes nas fotos e textos da dupla Jean Manzon e David Nasser em ‘‘O Cruzeiro’’ e muitos outros.
O mais interessante no livro, entretanto, é a maneira envolvente como os fatos são contados. ‘‘Decidimos que, em vez de editar um livro de história no sentido clássico da palavra, seria mais adequado - considerando o próprio assunto - elaborar uma obra no estilo de revista: variada, multifacetada e viva’’, diz o presidente da Editora Abril, Roberto Civita, no prefácio do livro.
E o resultado final foi exatamente este: belas páginas, vigororas e verdadeiras, onde estética e conteúdo aparecem lado a lado. Dividido em 17 capítulos, o livro é segmentado por temas: economia, esportes, femininas, cultura, quadrinhos, esportes, humor, fotografia, beleza, culinária, informática, aventura, terror, erotismo e outros.
Além dos fatos políticos e econômicos, as revistas registraram movimentos sociais importantes. O lançamento de ‘‘Grande Hotel’’ em 1947, por exemplo, marcou a descoberta de um copioso filão no mercado editorial brasileiro: as fotonovelas. Cinco anos mais tarde, a revista ‘‘Capricho’’ - que existe até hoje - surgiria com a mesma proposta.
Apesar de terem sido lançadas no Brasil em 1940 pela revista ‘‘Encanto’’, as fotonovelas alcançaram o seu auge nos anos 50, época em que a ‘‘Capricho’’ esgotava facilmente tiragens de 500 mil exemplares.
Os melodramas impressos nas revistas prosseguiram com sucesso até os anos 70, revelando astros e estrelas como Vera Fischer, que protagonizou por exemplo ‘‘Sob ao Signo do Sexo’’ na revista ‘‘Sétimo Céu’’, em 1971, ao lado de Agnaldo Rayol. O fenômeno das telenovelas só perdeu força com a massificação da televisão. Tais revistas passaram então a falar sobre as novelas eletrônicas e seus artistas.
Na análise dos movimentos sociais, não há nada mais interessante no livro do que um capítulo dedicado exclusivamente aos anúncios publicitários, fazendo uma viagem de mais de cem anos.
No comecinho do século 20, por exemplo, os reclames ofereciam uma enorme variedade de serviços e mercadorias. A formalidade e os versos eram comuns em anúncios como: ‘‘Aviso a quem é fumante: tanto o príncipe de Gales como o Dr.Campos Sales usam Fósforos Brilhante’’. É bom lembrar que, na época, Campos Sales era ninguém menos que o Presidente da República.
O livro ‘‘A Revista no Brasil’’, com 250 páginas, foi lançado nacionalmente pela Editora Abril. O preço de cada exemplar é R$ 39,00.

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