O Brasil em Cannes
O Brasil em Cannes
Coração Iluminado, de Hector Babenco, concorre em maio à Palma de Ouro na França
Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Especial para a Folha2
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Hector Babenco esteve em Cannes em 85 com o Beijo da Mulher Aranha e agora volta com Coração IluminadoMesmo não sendo cem por cento brasileiro, de novo vai valer a torcida. A comissão de seleção do 51º Festival de Cannes, no sul da França, de 13 a 25 de maio, incluiu na competição oficial o recém-concluído Foolish Heart (Coração Iluminado), uma co-produção entre Brasil, Argentina e França. Dirigido por Hector Babenco, argentino há 30 anos naturalizado brasileiro, o filme marca um triplo retorno: de Babenco ao longa-metragem, depois de 7 anos; do cineasta à Argentina natal, numa espécie de mergulho autobiográfico; e a volta a Cannes, onde ele esteve pela última vez em 85, quando O Beijo da Mulher Aranha obteve o prêmio de melhor ator para William Hurt.
A rigor, há muito mais a comemorar. Voltar a filmar, para Babenco, foi praticamente retomar a vida, com a certeza de que a longa enfermidade que quase o matou - um câncer linfático - estava definitivamente dominada, graças ao bem-sucedido transplante de medula realizado nos Estados Unidos em 95 (leia nesta página a entrevista com o diretor). E enquanto o vitorioso Central do Brasil vai percorrendo as telas do País, ainda sob a euforia proporcionada pelos Ursos de melhor filme e melhor atriz obtidos há pouco mais de dois meses no Festival de Berlim, já estamos novamente de volta ao mapa do cinema internacional, agora desfilando na mais cobiçada das vitrines.
Passada a euforia do cinquentenário, quando as expectativas de maior qualidade na seleção acabaram dando prioridade ao glamour das comemorações, Cannes parece este ano ter se reencontrado com o melhor da safra mundial, também em maior quantidade. Pelo menos é o que se observa num primeiro momento. São 22 filmes selecionados, alguns assinados por tradicionais frequentadores do Festival e que serão avaliados por um júri presidido por Martin Scorsese. Ao lado de Babenco, nomes como o grego Theo Angelopoulos, os ingleses Ken Loach e John Boorman, o italiano Nanni Moretti, o dinamarquês Lars Von Trier e alguns independentes americanos, como John Turturro, Hal Hartley, Terry Gilliam e Todd Haines. Nas paralelas, algumas iguarias que devem apetecer mais que o menu da mostra competitiva. Há um Bergman feito diretamente para a televisão sueca, o último do japonês Shoei Imamura, Kanzo Sensei, um aguardado Tango de Carlos Saura, mais outro octogenário canto de cisne do português Manoel de Oliveira, Inquietude. O tributo a Hollywood fica por conta do hors-concours Primary Colors, de Mike Nichols, filme de abertura do Festival, de Blues Brothers 2000, de John Landis, e do megaevento do segundo semestre, o Godzilla de Roland Emmerich , filme fora de competição que encerra o Festival.





