A retrospectiva da História do Brasil tem uma personagem recente, mesmo que já tenha completado 152 anos de nascimento. Trata-se de Chiquinha Gonzaga, autora teatral e compositora das primeiras manifestações da música popular brasileira - os chorões.
A pesquisadora Edinha Diniz, autora do livro ‘‘Chiquinha Gonzaga - Uma História de Vida’’, esteve em Curitiba conversando com os alunos da 6ª série do Colégio Expoente. Na opinião do aluno Eduardo Fontoura Setti, de 12 anos, ‘‘a conversa com Edinha foi massa. Ela explicou desde a evolução das roupas até dos carros. O que mais me impressionou foi o sofrimento por causa do preconceito por Chiquinha ser filha de uma negra.’’
Edinha conta que o que mais surpreendeu foi o fato de uma autora com a importância de Chiquinha Gonzaga ter ficado praticamente desconhecida por tanto tempo. Também ao público, de uma maneira geral, causa espanto o esquecimento de uma personagem deste porte, que viveu no século passado. ‘‘Mesmo já tendo sido produzidos dois musicais e duas escolas de samba terem homenageado a compositora, só agora as pessoas estão tomando conhecimento da história de Chiquinha Gonzaga, divulgada este ano com a minissérie da Globo.’’ O livro foi lançado em 1984.
Para esmiuçar a vida de Chiquinha, Edinha trabalhou com afinco durante seis anos - de 1976 a 1983, nos arquivos da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, no Rio de Janeiro. Foi o último companheiro de Chiquina, Joãozinho Gonzaga, quem depositou na Embat os originais da autora. Chiquinha o apresentava como filho e depois da morte dela, ele se registrou como Gonzaga.
Segundo Edinha, ‘‘primeiro, surgiu uma encomenda da produtora Ângela Pontual para um filme-documentário. Começei a pesquisa e a cada dia a personagem crescia tanto que fui me envolvendo, me apaixonando’’-conta.
Ela diz que, durante a pesquisa, achou estranho como uma moça de família ilustre poderia ter desenvolvido o gosto pelas causas populares na sociedade do século passado. ‘‘Foi então que achei o registro de batismo de Chiquinha na Igreja de Santana no Rio e descobri que ela era filha bastarda, de mãe solteira e mestiça. O pai tinha grandes dificuldades em aceitá-la e só aos 13 anos de idade o seu nascimento foi legitimado. Daí, pude entender o que se passou e escrever o livro.’’
Como o filme não saía, Edinha resolveu terminar a pesquisa e oferecer à Editora Record. A primeira edição do livro saiu em 84, quando a minissérie foi ao ar estava na segunda e hoje está na nona edição com quase 27 mil exemplares vendidos.
A Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense homenageou Chiquinha em 97 nos seus 150 anos de nascimento e a Mangueira já havia feito a mesma homenagem em 1985. Em São Paulo, a primeira produção da peça ‘‘Chiquinha Gonzaga’’ ficou em cartaz durante um ano e meio e hoje está sendo protagonizada por Rosa Maria Murtinho. A autora é roteirista e não pretende envolver-se com outra biografia, por enquanto.A escritora Edinha Diniz com Eduardo Fontoura, de 12 anos: aluno de colégio curitibano gostou da história de Chiquinha GonzagaElisa Marilia Carneiro

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