Existem dezenas de versões do clássico conto de fadas “Chapeuzinho Vermelho”. Das versões iniciais de Charles Perraut (1628 – 1703), de Jacob Grimm (1785 – 1863) e Wilhelm Grimm (1786 – 1859), até chegar às versões mais contemporâneas.

Um dessas versões merece atenção. Aquela realizada pelo escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908 – 1967) intitulada “Fita Verde no Cabelo – Nova Velha História”. Publicada originalmente no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo, em fevereiro de 1964, o conto apareceu em livro somente no volume póstumo “Ave, Palavra”, publicado em 1970.

Transformado em livro infantojuvenil pela editora Nova Fronteira com ilustrações de Roger Mello, “Fita Verde no Cabelo” traz uma versão de “Chapeuzinho Vermelho” repleta de neologismos e metáforas.

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Guimarães Rosa subverte o simbolismo da narrativa para criar uma nova contextualização dos contos de fadas. Narra a história de uma menina “com uma fita verde inventada no cabelo”. Uma garota que sai de casa para levar doces em calda para a avó.

Para chegar até a casa da vovozinha, precisa atravessar uma vasta floresta. Não mais uma floresta repleta de perigos, já que todos os lobos malvados foram mortos por lenhadores e caçadores.

Quando bate na porta da avó, a menina percebe que há alguma coisa diferente. Os braços da vovozinha estão estranhos, magros e trêmulos. Seus lábios não estão alegres como antes, estão arroxeados. Seus olhos não estão mais vívidos, mas fechados.

E nesse exato momento, a menina de fita verde, percebe que, apesar de não existem mais lobos, ela sente o eterno medo de lobo.

Quanto toca com suas mãos a avozinha, sente uma avó ausente. Um corpo frio como frio os corpos se tornam com o tempo. E não é preciso dizer mais nada.

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Serviço:

“Fita Verde no Cabelo – Nova Velha História”

Autor – João Guimarães Rosa

Ilustrações – Roger Mello

Editora – Nova Fronteira

Páginas – 32

Quanto – R$ 25

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