Nenhum efeito 3D, monstros simpáticos ou brinquedos que andam. A animação francesa ''O Mágico'' - que foi indicada ao Oscar deste ano e que estreia hoje, na sala do Cine Com-Tour/UEL - aposta em traços mais clássicos, com uma perspectiva adulta e emocionante.
Dirigido pelo cineasta Sylvain Chomet - que já havia demonstrado seu estilo marcante de animação no longa ''Bicicletas de Belleville'' - o filme conta a história do ilusionista Tatischeff, um mágico desengonçado que assiste com tristeza a decadência de sua profissão.
Apagado diante das novidades na TV e celebridades do rock, o velho mágico ainda tenta lutar contra o tempo, apresentando truques que encantavam multidões no passado e que, agora, viraram clichês: no repertório de Tatischeff estão de tirar o seu (problemático) coelho da cartola, descobrir moedas atrás das orelhas de crianças e fazer cartas desaparecerem misteriosamente. Todos os seus esforços passam, na maioria das vezes, sem chamar a atenção.
Tendo como única opção a de viajar através da Europa fazendo performances em bares falidos e casamentos, Tatischeff se depara, em uma de suas apresentações, com a jovem Alice, que fica encantada com os truques e traz a alegria de volta para a vida do personagem.
As raízes da narrativa de ''O Mágico'' são baseadas em um roteiro (não produzido) de Jacques Tati, um dos mestres da animação francesa - e que foi responsável por diversos clássicos, entre eles ''Mon Oncle'', de 1958. Escolhendo seguir os traços dos desenhos antigos, o diretor Chomet nos introduz, através do saudoso olhar de Tatischeff, a um mundo em que o divertimento inocente ficou esquecido, jogado no canto de algum camarim escuro.
Em ''O Mágico'', o personagem principal não é o único perdido no limbo das velhas artes: somos apresentados também a palhaços depressivos, anões malabaristas e um excêntrico ventríloquo - todas essas figuras são representantes de um passado mais ingênuo e, por isso mesmo, muito mais encantador.

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