O bom de ser má
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Márcio Maio <br> <br> TV Press 
Ariela Massotti já percebeu que, no que diz respeito ao caráter de suas personagens recentes na tevê, há mesmo males que vêm para bem. A atriz foi chamada para fazer uma pequena participação em ''Malhação'', como a misteriosa Raquel. Mas soube aproveitar bem todos os traços de vilania que a irmã postiça da mocinha Catarina, de Daniela Carvalho, ganhou com o passar dos capítulos. Hoje, sem qualquer previsão de sair da história, já é um dos destaques do seriado adolescente. ''Confesso que me sinto mais à vontade em papéis de vilãs. Acho bem mais fácil atuar quando se trata de um tipo completamente diferente de você'', avalia.
Na história de Emanuel Jacobina, Raquel é filha de Fausto, de Joelson Medeiros, fruto de um caso dele com uma amiga de Cláudia, papel de Gisela Reimann. Como não foi criada pelo pai e não teve as mesmas regalias que Catarina, faz tudo para tomar o lugar da mocinha. Até porque as duas têm mais ou menos a mesma idade: beirando os 20 anos. ''Tento passar essa obsessão que eu acho que a Raquel sente pela irmã. Vejo o problema apenas entre as duas. Tanto que costumo humanizá-la no contato com os outros irmãos'', justifica Ariela. Na trama, Raquel incentiva a travada Duda, de Natalie Jourdan, a se soltar mais e engatar uma carreira de modelo.
A inclinação para interpretar garotas que fogem do estereótipo das mocinhas começou em ''Ciranda de Pedra'', quando viveu a transgressora Otávia. Além de se tratar de uma personagem de época, a menina apresentava certa indiferença aos problemas de saúde da mãe, a perturbada Laura, de Ana Paula Arósio. Um alívio para quem, entre 2006 e 2007, foi alvo de várias críticas ao protagonizar a novela ''Alta Estação'', da Record. ''Eu não sabia nada, tinha noção de que precisa estudar e praticar mais antes de pegar um papel tão forte. Mas quem seria capaz de dizer não?'', indaga a jovem, sem qualquer arrependimento.
Ariela sabe que a Record esperava mais dela. E, por um momento, chegou a pensar em abandonar a carreira de atriz. Logo que acabou ''Ciranda de Pedra'', começou a trabalhar no espetáculo infantil ''Tecendo Vassalissa, a Verdadeira História da Cinderela''. Em seguida, atuou na peça jovem ''O Diário de Débora''. Como o trabalho nos palcos consumiu menos tempo que suas investidas na tevê, Ariela aproveitou para estudar massoterapia. E até trabalhou com isso. Mas logo percebeu que é possível equilibrar as duas funções. ''Acho importante que todos tenham um 'plano b'. Sempre me interessei por terapias holísticas e, se eu tiver de parar de atuar, é por aí que devo seguir'', analisa.
No entanto, a vontade de virar atriz vem desde pequena. Tanto que Ariela começou a estudar Teatro aos nove anos. Como morava em Três Passos, no interior do Rio Grande do Sul, a menina achava que jamais conseguiria se sustentar atuando. ''Em cidade de interior, você monta um espetáculo e tem público só na estreia. Depois, todo mundo já viu sua peça e fica sempre vazio'', lamenta. Por isso, mudou-se para São Paulo aos 17 anos, em busca de uma vaga como modelo. Mas a experiência vivenciada em um curso na cidade natal em nada se assemelhou à dura rotina da capital paulista. ''Tratam as modelos como objetos. Eu odiei! Ainda mais que nem podia comer meu brigadeiro de vez em quando e vivia sumindo tudo na geladeira. Éramos nove meninas morando juntas, uma bagunça'', lembra.
''Malhação'' - Segunda a sexta, às 17:35 h, na Globo.


