Uma das oficinas mais prestigiadas pelos alunos do segundo e terceiro anos do ensino médio do Colégio Aplicação foi a que abordou a história do blues e a filosofia aristotélica. Proferida pelo estudante do segundo ano do curso de licenciatura em filosofia Maurício Pitta, ex-aluno do Colégio Aplicação, os alunos demonstraram empolgação ao conhecerem mais sobre a trajetória do blues e as teses e conceitos aristotélicos sobre moral, política e estética.
"O objetivo foi evidenciar como a filosofia de Aristóteles e seus conceitos sobre hábito, educação e catarse podem nos ajudar a entender o fenômeno do blues enquanto movimento musical catártico e de alcance universal", explicou Pitta.
Para isso, ele explorou brevemente a história do negro nos Estados Unidos nos séculos 19 e 20 em paralelo com a história das etnias afro-brasileiras a fim de se obter o panorama socioeconômico, político e musical que permitiu o florescimento do blues. Além disso, trouxe à tona a teoria ética, política e estética aristotélica, assim como a análise de algumas letras de canções do blues que exemplifiquem os conceitos aristotélicos.
Segundo Pitta, as apresentações de algumas canções renderam aplausos efusivos. Uma atividade de composição de uma paródia também foi realizada, inclusive algumas feitas pelos próprios alunos sem se ampararem em nenhuma canção já conhecida para parodiá-la. Houve até grupo que cantou a composição, com direito a batidas na mesa para imitar o ritmo sincopado do blues.
"O que mais me chamou a atenção foi o fato de um ritmo pouco conhecido para a juventude de hoje em dia, e praticamente inexplorado nos veículos de comunicação nacionais, ter chamado atenção de tanta gente na oficina", comentou Pitta.
"Alguns deles pediram que eu escrevesse o nome dos blueseiros responsáveis pelas músicas apresentadas na lousa. Outros, me chamavam na hora da atividade para conversar sobre guitarras e sons novos que eles estavam ouvindo. Isso demonstra que a tese de que o blues é um estilo musical universal na concepção aristotélica é certamente bem-vinda", concluiu.
Foram apresentadas as seguintes músicas durante a palestra: Crossroad Blues, de Robert Johnson; Sweet Home Chicago, de Robert Johnson; Call It Stormy Monday, T-Bone Walker; Johnny B. Goode, Chuck Berry; Dados chumbados, André Christovam; Fumando na escuridão, Celso Blues Boy e Não sei pra que fiz esse blues, do próprio Maurício Pitta. (A.P.N.)

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