O BEM DE OLHOS LIMPOS
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de julho de 2001
Marcos Losnak De Londrina Especial para a Folha2 
Era uma vez um lobinho que nasceu numa família de lobos maus. Como tinha uma certa tendência pela bondade, o pai resolveu enviá-lo para um colégio interno. Não um colégio comum, mas a famosa Escola de Enganação. Lá, pelas mãos do tio Lobão do Mal, aprenderia todos os tipos possíveis de maldades.
Conhecido como Binho, o lobinho se esforçou para aprender as mais variadas maldades. Coisas como devorar meninas de chapéus vermelhos, vovozinhas que moram em florestas e porquinhos distraídos. Mas sua vocação sempre empurrava-o para outra direção, no sentido da bondade. Chegou a decorar as Nove Regras do Mau-Caratismo, uma espécie de tabuada da Escola da Enganação, mas não conseguiu colocá-las em prática. A regra número cinco, por exemplo, dizia os outros que se danem. A número seis, dê o pior de si.
A história de Binho é contada pelo escritor inglês Ian Whybrow em Lobinho na Escola de Enganação. O livro, com ilustrações de Tony Ross, foi lançado em maio pela Editora Companhia das Letrinhas. Agora, a mesma editora está publicando o segundo volume das aventuras do personagem.
Diário das Façanhas do Lobinho traz a continuação da história de Binho. Após a sua não adaptação ao caminho do mal, e a morte do Lobão Mal, diretor da Escola de Enganação, ele herda o colégio e toda a fortuna acumulada pelo tio. Com a ajuda do primo Uivo Ruivo funda, no lugar da escola, a Academia da Aventura. Um lugar em que os filhotes de animais não mais aprenderão maldades, mas se divertirão para valer.
Os primeiros matriculados na academia são Cheirinho Forte e a Gralha Guimba. Cheirinho Forte é o irmão mais novo de Binho, que logo no primeiro dia de escola se apaixona pelas moedas de ouro da escola e torna-se seu protetor. Gralha Guimba é um filhote de gralha que morre de medo de alturas, voar para ela é como ver fantasma.
Para o projeto, Binho contrata os serviços do Mestre M, que se diz um especialista em diversão. O objetivo do lobinho é construir um enorme parque de aventuras. Cheio de coisas como trem-fantasma, montanha-russa, tobogã de cabo aéreo, salto de pára-quedas, carrinhos bate-bate, viodegames e muito mais.
O problema é que Mestre M é um tremendo picareta. Trata-se, na verdade, de um disfarce de um astuto raposo, ladrão e ludibriador de crianças incautas. Ele trama um golpe para roubar a fortuna da Academia da Aventura. Para isso é capaz de qualquer coisa, como sequestrar o pequeno Cheirinho Forte, o único que sabe o segredo do cofre que guarda as moedas de ouro.
Diário das Façanhas do Lobinho é a descrição das aventuras vividas por Binho, Uivo Ruivo e Gralha Guimba na tentativa de resgatar Cheirinho Forte das garras do raposão. E recuperar o dinheiro roubado, para que o parque de aventuras seja construído. Para isso, eles precisam realizar uma longa perseguição, percorrendo territórios inóspitos e desconhecidos. Nessa jornada, aprendem o valor do companheirismo e, acima de tudo, como superar os próprios medos e as dificuldades mais íntimas.
Quando tudo parece não ter como piorar, o raposo resolve transformar a Academia da Aventura num hotel de caçadores. Mas a força de vontade dos heróis, e um boa dose de criatividade, consegue reverter as forças do mal. Até um fantasma entra na jogada, para susto de todos e sorte do lobinho.
Assim como Escola da Enganação, Diário das Façanhas é escrito em forma de cartas que Binho envia aos pais contando os acontecimento e suas experiências. Sem omitir nenhum detalhe, sua sinceridade é o melhor remédio para que o pai e a mãe o compreendam do jeito que ele realmente é, não um lobinho mal, mas um lobinho bom. A diferença é que no novo volume (a coleção compreende três volumes), Binho, devido a sua longa jornada, troca as cartas por um diário, onde relata aos pais todos os fatos, sua vivência e emoções.
Diário das Façanhas do Lobinho De Ian Whybrow, ilustrações de Tony Ross, Editora Companhia das Letrinhas, tradução de Carlos Sussekind, 128 páginas, R$ 18,00.


