O Jardim Santa Fé (zona leste), um bairro formado por dois assentamentos, é uma dos locais mais carentes de Londrina. Um dos projetos da Rede da Cidadania, coordenado pela Escola Municipal de Teatro, já inseriu nesse ano no universo teatral 13 jovens de 13 a 26 anos. O ator e diretor Rafael Arruda precisou adaptar a metodologia de trabalho para a realidade local, devido às diferenças no nível de escolaridade dos participantes. Um deles, depois do contato com o teatro, faz o curso de alfabetização. Esse ano, Silvio Ribeiro, diretor da EMT, assina o texto da montagem de ''História de um Povo de um Lugar''. O teatro humanizou as relações interpessoais na escola e família, observa Rafael Arruda.
Da oficina de iniciação teatral do ano passado, quatro integrantes agora participam das turmas regulares da EMT. ''É preciso ter força de vontade e aproveitar essa oportunidade que temos. Quero crescer com o teatro'', diz Elisete dos Santos, 19 anos, da turma do Santa Fé que faz EMT. Essa força de vontade se refere aos meses em que a trupe se dirigia a pé aos ensaios, do Jardim Santa Fé até à Rua Acre (região central), numa jornada de 40 minutos. Agora, eles recebem passe para o transporte. ''Teatro é vida. Eu posso me expressar pela voz de outros personagens. Eu gosto de estar em cena, acho legal representar outra pessoa'', afirma Ivan Melo, 16 anos.
Maria de Lourdes Malta, 15 anos, diariamente vence a timidez para conquistar o palco. ''Estar no palco e receber o aplauso do público é uma vitória'', revela. Ruverson Palma, 19 anos, ficava espiando pela janela os ensaios no Santa Fé. ''Com o teatro, a gente aprende a dar valor a outras coisas. A vida não é como o povo da periferia vive, só trabalhar, trabalhar'', avalia Ruverson.

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