Curitiba recebe a partir de amanhã, no Teatro Postivo, o maior projeto de música erudita produzido no Brasil em muitos anos. Trata-se da Companhia Brasileira de Ópera, que desde junho viaja pelo país com seu primeiro espetáculo, uma versão high tech do clássico ''O Barbeiro de Sevilha''. São mais 70 artistas e técnicos envolvidos na turnê, entre eles os instrumentistas londrinenses Evgueni Ratchev, Afonso Barros, Matheus Souza, Natanael Fonseca e Waldir Bertipaglia. Até o dia 24 dezembro, o grupo passará por 15 cidades.
A criação da companhia surgiu há cerca de dois anos, a partir de conversas entre o maestro John Neschling e o produtor José Roberto Walker. Em entrevista à FOLHA, Walker conta que a proposta inicial era mais modesta e previa apresentações em, no máximo, cinco capitais brasileiras. O responsável pela ampliação foi o próprio ministro da Cultura, Juca Ferreira, para quem a dupla mostrou o projeto no ano passado.
Ferreira não só gostou da ideia como foi decisivo para a consolidação da companhia, que hoje conta com o apoio do Banco do Brasil, da Petrobras e do ministério. Segundo Walker, o orçamento desta primeira temporada é de R$ 10,3 milhões. Para ser ter uma noção do tamanho do investimento, o longa-metragem mais caro já produzido no país (a cinebiografia do presidente Lula) custou R$ 12 milhões.
A escolha de ''O Barbeiro de Sevilha'' para abrir os trabalhos veio de uma conbinação de fatores. ''É uma ópera compacta, fácil de se transportar, pois a orquestra e o coro podem ser pequenos. Além disso, é uma comédia muito famosa, com referências que todo mundo reconhece'', diz o produtor. Não à toa, o grupo apresenta, em cada cidade, pelo menos uma versão do espétaculo para o público infantil, visando à formação de plateia.
Mas o que mais chama a atenção no espetáculo é o aparato audiovisual, que permite a interação dos cantores e músicos com desenhos animados projetados em cena. Uma ideia do diretor italiano Pier Franceso Maestrini, que indicou para o trabalho o cartunista americano Joshua Held, criador de todos os cenários e personagens virtuais presentes em cena.
''Nosso maior problema era resolver a sincronização, ao vivo, das projeções com a orquestra e o coro. Porque uma apresentação nunca é rigorosamente igual à outra'', explica Walker. A solução foi desenvolver uma técnica inédita, em que um maestro ''de verdade'' controla, por meio do computador, a velocidade das animações.
Sobre a percepção de que não existe público no país para a ópera, Walker é enfático. ''Isso não é verdade. Desde meados do século 19, o Brasil recebe as grandes produções européias, em especial as italianas. Várias cidades brasileiras têm grandes teatros de ópera, o que falta é uma programação para eles''.
Serviço
- O Barbeiro de Sevilha, da Companhia Brasileira de Ópera
Quando - Récitas adultas: de 21 a 24 de julho, às 20h, e dia 25 de julho, às 19h. Récita infantil: dia 25 de julho, às 16 horas
Onde - Teatro Positivo (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300)
Quanto - R$ 30 (plateia superior), R$ 60 (plateia inferior), R$ 70 (plateia inferior central) e R$ 50 (camarote), com meia entrada para todos os lugares
Informações - (41) 3317-3107 ou www.teatropositivo.com.br

mockup