O bandoneón em boas mãos
O bandoneón em boas mãos
O argentino Rodolfo Mederos mostrou
força interpretativa no concerto
que fez anteontem em Londrina
Ranulfo Pedreiro
Divulgação
Rodolfo Mederos: intérprete conseguiu arrancar notas com movimentos mínimosO bandoneón parece um instrumento desajeitado. A necessidade de controlar o ar com o vaivém do fole para a emissão das notas, além de exigir técnicas apuradas de mão esquerda e direita, o tornam de difícil execução. Como o piano, ele se acompanha - sola e faz acordes ao mesmo tempo.
Todo esse conjunto de características obedeceu pacificamente ao domínio do argentino Rodolfo Mederos durante o concerto da Série Crystal Palace, realizado anteontem à noite em Londrina. Com muita técnica, o intérprete conseguiu arrancar notas com movimentos mínimos, em fraseados que exigiam sutileza, ou se aproximar do limite físico do fole em rompantes contínuos. A técnica - que muitas vezes transforma o intérprete em um balde de gelo - é acompanhada em Mederos por uma carga interpretativa que se encaixa nas explosões sentimentais que caracterizam o tango.
Mederos já transitou pela música contemporânea, mas não renegou Gardel. Foi amigo de Piazzolla, de quem recebeu influências. Acompanhado da Camerata de Bariloche, Rodolfo Mederos fez uma interpretação compenetrada de Adios Nonino, de Piazzolla, iniciando com um solo personalizado para ganhar posteriormente o acompanhamento das cordas. Gardel também foi lembrado em Suíte Gardeliana.
O destaque vai também para a Camerata de Bariloche, que mostrou qualidade de interpretação e arranjos. O grupo atuou com a mesma segurança nos tangos de Piazzolla como no Divertimento nº 3 em Fá Maior, de Mozart. Foi incisivo e preciso em Bachiana Brasileira nº 4, de Villa Lobos. E ainda mostrou um extenso pizzicato num dos movimentos da Sinfonia Simple Op. 1, de Britten. O público, termômetro de espetáculos, correspondeu aplaudindo com entusiasmo.





