O Ballet Teatro Guaíra fecha as portas do Guairão
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Zeca Corrêa Leite<br> Sucursal de Curitiba 
O corpo de baile do Teatro Guaíra faz sua última apresentação do ano neste final de semana no Guairão. Após o espetáculo as portas do teatro se fecham; a programação terá continuidade em 1997. Para um encerramento com destaque foram escolhidos três bailados: Trindade e Estância, de Luis Arrieta, e Rhapsody in Blue, de Ana Maria Mondini. As sessões estão marcadas para hoje, às 20h30 e amanhã, às 18 horas.
A Orquestra Sinfônica do Paraná acompanha o Ballet Teatro Guaíra, sob regência do maestro Osvaldo Colarusso. Em Rhapsody in Blue terá o solo do pianista Paulo Piá de Andrade, jovem talento de Curitiba que faz aqui sua última apresentação pública. No início de janeiro embarca para os Estados Unidos. Fará especialização na Universidade de Indiana.
Trindade é uma peça que o autor considerou como sendo uma síntese espiritual. De cunho profundamente espiritualista e religioso, com música de Samuel Barber, esta é uma reflexão sobre o número três, o terceiro elemento, o elo do singular vindo a se ligar e mudar a paisagem.
O balé é defendido por três bailarinos. A evolução dos movimentos representa as possibilidades que a tríade pode assumir. O Pai, o Filho e o Espírito Santo, o nascimento, a vida e a morte; a harmonia, a paz e a perfeição; o início, o meio e o fim. As divagações vão longe e essa foi a proposta de Arrieta quando decidiu-se pela dança.
Terrenos O etéreo cede lugar ao peso humano em Estância. Este segundo bailado desenha no palco as imagens do bailarino que remetem à sua infância, quando deixava a capital para embrenhar-se no interior, na casa da avó Camila. Descendente de índios ela era o seu grande encanto de mistérios, crenças e falas. Enquanto isso, lá fora homens e mulheres passavam em direção ao campo, para o plantio, para a colheita.
Estância é um balé viril, traz a garra dos homens que aram e cuidam da terra, e a gostosa alegria do trabalho feito. A música vibrante e contagiante de Ginastera cai como uma luva no espetáculo, muito aplaudido nas vezes anteriores em que foi apresentado.
Metrópole O tema de Rhapsody in Blue surgiu para Gershwin quando ele viajava num noturno, atravessando os Estados Unidos. A coreógrafa Ana Maria Mondini coloca esse clima de nervosismo, agitação, procura, encontros e desencontros numa criação belíssima. Ela utiliza toda a companhia para o bailado.
O palco emerge em brumas, como se fossem noites nova-iorquinas. Os brilhos são fátuos, as felicidades passageiras. Formam-se casais de apaixonados que logo depois estão sozinhos em busca de novos parceiros, sem perder o pique. Não há espaço para clima de bolero, para o drama dos tangos.
Nesse ritmo corre Rhapsody in Blue, até um final estonteante, quando um casal se abraça e se beija sob um foco de luz, antes da escuridão tomar conta da sala e da platéia irromper os aplausos. Foi assim na sua estréia para um teatro lotado nas duas sessões. Espera-se que o sucesso continue.
q Ballet Teatro Guaíra - apresentação das coreografias Trindade e Estância, de Luiz Arrieta; Rhapsody in Blue, de Ana Maria Mondini. Participação da Orquestra Sinfônica do Paraná, sob regência de Osvaldo Colarusso. Solista: Paulo Piá de Andrade (piano) em Rhapsody in Blue. No Guairão, hoje, às 20h30 e amanhã, às 18 horas. Ingressos: R$ 5,00 (preço único).


