DivulgaçãoO fotógrafo Orlando Kissner não marcou presença na abertura de sua exposição porque está na França, tentando achar beleza no jogo da seleção
brasileiraNa Copa do Mundo de 94 o Brasil mostrou um time que jogava feio, muito feio, mas ganhava. Nesta Copa corremos o risco de ter na França um time que joga feio, muito feio, sem ganhar de ninguém. Para quem já começa a sentir saudade do time de Parreira e daquela Copa que nos deu uma constrangida felicidade, o Museu da Imagem e do Som, em Curitiba, oferece um prato cheio. Trata-se da exposição Copa do Mundo de 1994, que pode ser vista até 14 de julho na sede do museu, na Rua Barão do Rio Branco, 395. Os patrocinadores são Secretaria da Cultura, Agência Estado e Football Mania.
O principal protagonista é o fotógrafo Orlando Kissner, que documentou com humor, sensibilidade e espírito jornalístico o sucesso de Dunga e sua turma nos Estados Unidos. A mostra reúne ainda fotos, cartazes e documentários em vídeo desde a Copa do Mundo de 1930, no Uruguai, além de instalações com bolas, bandeiras e redes para colocar o visitante na cara do gol. Mas esses atrativos extras não passam de penduricalhos para quem gosta de futebol e fotografia. Explica-se: Orlando Kissner é o melhor fotojornalista de futebol do Brasil, um dos melhores do planeta, e ponto final.
‘‘Alemão’’ para os amigos de São Paulo, ‘‘Polaco’’ para os de Curitiba, Orlando Kissner, 40 e tantos anos nas costas, já fez de tudo em jornalismo, menos ser dono de jornal. Mesmo bem nascido, começou a trabalhar aos 11 anos, em Curitiba, entregando o Estado de S. Paulo de bicicleta. Era então o ‘‘Baleia’’, apesar de alto e magrão (hoje anda meio arredondado), pois nadava como uma e tinha o cabelo esverdeado de cloro. Anos depois virou motorista no Estado do Paraná, jornal que formou uma ótima geração de fotojornalistas. Na volta de uma reportagem, onde hoje é a subida da via rápida que vai do Juvevê ao Centro Cívico, viu um caminhão pegando fogo. Era notícia, e era dinamite de verdade. Já fotógrafo esporádico, Polaco pegou toda a sequência, até o caminhão explodir literalmente. O Juvevê quase desapareceu e o fotógrafo Orlando descobriu de uma vez o que queria da vida.
Do Estado do Paraná foi para Placar, em São Paulo, e, em 1990, para a Agência Estado, provedora de informação para os jornais da casa, Estadão e Jornal da Tarde, e mais de cem clientes mundo afora. Fez trabalhos memoráveis, em todas as áreas, mas sua praia é mesmo o futebol. Polaco criou a tática, hoje copiada pelos demais fotógrafos, de conquistar o jogador e avisar em que lugar do campo ficaria durante a partida. Não dava outra: o corintiano Neto corria em sua direção e se ajoelhava para comemorar; Raí lhe dava imagens exclusivas e a camisa do São Paulo no final do jogo; na seleção, todos sabem que, com Orlando por perto, capricham para sair no jornal.
As imagens que Orlando Kissner nos traz da Copa de 94 espelham, mais que o torneio, a paixão do brasileiro - aí incluídos os jogadores - pelo futebol. São momentos, frações de instantes mágicos em que ele captura a emoção do jogo e do ser humano, mesmo que seja o Dunga. Orlando sabe como poucos pensar um jogo não apenas pelo rasgo de segundo em que acontece o gol, mas acima de tudo como uma ilógica sequência de movimentos de uma arte corporal incomparável.
Orlando Kissner não esteve presente à abertura da exposição, na segunda-feira, pois agora garimpa novas preciosidades fotográficas na França, procurando o belo no ainda feio jogo do time de Zagalo. Enviado da Agência Estado (está oficialmente desligado da empresa e trabalha atualmente como ‘‘retratista’’ favorito do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi) à última Copa do século, Polaco, é certo, trará um riquíssimo acervo para nosso deleite, já desfrutável no Estadão, Jornal da Tarde e nos assinantes da AE, a Folha inclusive. Que traga também a foto da moçada erguendo o caneco.

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