A artista plástica Leila Pugnaloni abre hoje, na galeria de arte Ybakatu, em Curitiba, uma exposição com sua obra mais recente. É uma continuidade daquilo que vem realizando nos últimos anos, mas com a diferença que desta vez ela colocou em primeiro plano o outro lado dos objetos. Revela-se assim a feitura do trabalho, as vigas, o uso da madeira. Enfim, a estrutura que sempre esteve oculta.
Essa é uma parte da exposição. A outra coloca em cena cores repousadas, dando a sensação de paredes de uma casa de madeira. Tem ainda os cochos, que são essas mesmas estruturas no sentido horizontal, acondicionando plantas: flores, cebolinha, manjericão.
Nesse terreno de memórias e homenagens Leila Pugnaloni deposita sua arte. Diz ela que apreendeu muito da vida ao abrir a escola há mais de um ano. ‘‘O convívio com as pessoas é uma coisa criativa’’, explica. Porém o fazer artístico não atinge a extensão que existe na troca de afeto entre seres humanos, animais e vegetais. Esse é o dom da vida, tem uma importância ainda mais plena.
DivulgaçãoAs obras no ateliê de Leila Pugnaloni: cores esmaecidas e idéia de aconchegoA criatividade, no pensamento de Leila, aproximou-se ainda mais da existência e das pessoas. O cocho, por exemplo, que ela transformou num viveiro de plantas, poderia ser cuidado por pessoas impossibilitadas de se locomoverem. ‘‘São tantas as possibilidades e isso me dá outra visão da arte. Ela aparece aos meus olhos num sentido mais universal.’’
A nítida sensação de aconchego das paredes de uma casa de madeira - ou muitas casas - prova apenas que a produção contemporânea em momento algum precisa ser cética ou distanciada da realidade. Essa é a crítica que Leila faz da tendência atual. ‘‘É o que tem rolado’’, afirma.
O uso das cores mais fortes, que passou inclusive pela ilusão fosforescente, deu lugar aos tons esmaecidos, singelos. E a espaços vazios entre uma parede e outra. ‘‘É como se fossem momentos de se ouvir a música que não se está tocando em parte alguma’’, confessa. Em outras palavras, pausas de melancolias e pensamentos.
Essas paredes têm uma profunda representação para Leila - vão além da simples designação de casa para assumir uma palavra política e essencial: habitação. ‘‘É o fato de se abrigar, trazer mais dignidade’’, argumenta. ‘‘É difícil para mim falar de arte sem falar de gente, do aspecto social. Do morar e plantar. Diria até que esta obra não é minha, é de todos. E mais: para mim ela sintetiza a vida.’’

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