O ASSUNTO É CULTURA
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de agosto de 2000
Elisa Marilia Carneiro Ana Clara Garmendia De Curitiba 
Os candidatos à Prefeitura de Curitiba foram convidados pela Folha 2 para falar sobre suas propostas de cultura. A maior preocupação é com o acesso aos bens culturais pela população da periferia e com o envolvimento da comunidade na produção artística. Eduardo Requião, um dos irmãos do senador Roberto Requião na briga pela sucessão de Cassio Taniguchi, recebeu a reportagem tomando um café de caboclinho (no copo de geléia), numa casa antiga cheia de quadros, tapetes e móveis sofisticados. O comitê de Ângelo Vanhoni também é numa casa grande no bairro das Mercês, mas o mobiliário se restringe a cadeiras e mesas de trabalho. O arquiteto Luiz Forte Netto instalou sua equipe de campanha numa residência da Avenida Nossa Senhora da Luz, com jardim e piscina. O comitê de Diego Sturdze está montado numa apertada garagem próxima à Universidade Federal do Paraná, com desenhos de foices e martelos nas paredes. Jamil Nakad, o prefeito Cassio Taniguchi e Maurício Requião responderam às perguntas pela Internet. Confira a seguir o que os candidatos têm a dizer sobre os caminhos da cultura em Curitiba.
Arquivo FolhaLuiz Forte Netto (PSDB) Candidato a vice-prefeito: Carlos Kolb Coligação Curitiba forte (PSDB, PSDC)
1. Qual o seu plano de governo para a cultura?
Consideramos a cultura, aqui em Curitiba, como um privilégio das pessoas das classes A e B. Achamos que não deveria ser assim. A nossa intenção é fazer com que todos tenham acesso à cultura, tanto como espectadores como produtores de cultura. As pessoas da periferia não têm acesso a qualquer tipo de manifestação cultural.
2. De que forma a população da periferia poderia participar dos eventos culturais?
Isso diz respeito a todo o sistema educacional. Quando isso é feito através da escola, atinge todas as famílias que têm acesso às escolas. Teríamos de realizar produções culturais junto às escolas e associações de bairros. Em Curitiba há cerca de 40 salas de espetáculos, isso é um número bastante elevado. Mas as agendas estão ociosas. A administração cultural deve assumir os custos de preencher esses espaços culturais.
3. Que grau de prioridade a cultura teria no seu governo?
A prioridade, em Curitiba, é atender à segurança. A população está com medo. Nas visitas que fazemos aos bairros, sempre os primeiros pedidos são com relação à segurança. Temos também os programas de habitação, enfim, programas para que a população tenha condições de sobreviver.
4. O senhor faria alguma modificação na Lei Municipal de Incentivo à Cultura?
Acho que ela deve ser mais aberta, mais democrática. Ela é utilizada por uma pequena parcela. As pessoas mais simples têm dificuldade até de preencher todos os formulários para dar entrada nos projetos culturais. Por isso, muita gente só tem acesso à cultura através da televisão e, portanto, atuando como espectador passivo.
5. Em geral, a cultura é uma das pastas menos beneficiadas. O senhor considera o orçamento atual adequado?
A cultura é uma das atividades mais importantes numa administração e deve estar intimamente ligada à educação. Deveríamos fazer cultura por intermédio da educação. O aluno passa a considerar a cultura com algo muito importante e não como algo supérfluo. A cultura alimenta o espírito e é fundamental para a sobrevivência pessoal. A verba para a cultura deveria ser bem maior.
6. Como o acesso à cultura poderia ser aumentado para todos as faixas da população?
Estamos dividindo a cidade em oito regiões. Em cada região poderíamos ter uma programação intensiva de teatro, por exemplo. Os bairros montariam seus grupos e treinariam técnicos em iluminação, sonoplastia, cenários, permitindo com isso até uma possibilidade extra de renda. Curitiba é conhecida como uma cidade com um sistema cultural sofisticado, mas para uma pequena parcela da população. Isso deve ser corrigido.
JOGO RÁPIDO
Área cultural de maior afinidade: Como arquiteto, com o patrimônio arquitetônico, escultura e pintura. Como pessoa, gosto de teatro e música. Na verdade, gosto muito de tudo, inclusive do folclore.
Um livro marcante: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
Música preferida: As do Caetano Veloso. Conta que tem todos os discos do compositor e cantor. Gosta também do Chico Buarque, Tom Jobim e de música clássica. Gosta de trabalhar ouvindo música barroca.
Artista plástico: Poty Lazzarotto e Carlos Eduardo Zimmermann. Vai a quase todas as inaugurações de exposições
Último filme a que assistiu: Encontro Marcado, com Brad Pitt, gostou muito de Sexto Sentido também
Último show a que assistiu: O da Marisa Monte, no Teatro Guaíra


