O artista Tuneu inaugura nova exposição
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 17 (AE) - Ao contrário de muitos artistas que evitam explicar sua obra, afirmando que preferem deixar essa tarefa ao espectador, Tuneu gosta de explicitar o que faz e afirma com certo didatismo que sua maior preocupação é - e sempre foi - a cor. Mas para quem vê os quadros abstrato-geométricos que o artista expõe a partir de amanhã (18) à noite no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, fica evidente que eles preservam um certo mistério e ritmo, fazendo com que a questão cromática seja apenas um dos elementos vitais de sua pintura.
"A preocupação com a forma acontece naturalmente", explica ele, reforçando a idéia de que todo o movimento ou equilíbrio contido em suas telas deriva diretamente do contraste entre os distintos campos de cor. Mas reconhece a importância da elaboração formal em seu trabalho. Aliás, Tuneu costuma dizer que trabalha o tempo todo com contrastes e harmonias, criando diferentes relações com o espaço. "Tento dar dicas, sugerir elementos para que as pessoas percebam o percurso de desenvolvimento da minha obra", explica.
A escolha das formas segue uma lógica, mesmo que imperfeita. Segundo o curador do MAM, Tadeu Chiarelli, Tuneu faz parte de um grupo de artistas que conseguiu fundir a tradição pictórica paulista à ruptura construtiva. Essa fusão decorre, sem dúvida alguma, dos mestres que Tuneu teve. Sua primeira professora e de certa forma a responsável pela sua trajetória como artista foi Tarsila do Amaral. A pintora modernista viu-o desenhando quando tinha uns 11 para 12 anos e o trouxe para perto. Os dois mantiveram um contato estreito até a morte dela.
Outros mestres importantes para Tuneu foram Willys de Castro e Hércules Barsotti. "Tive muita sorte, sinceramente encontrei gente de primeira qualidade", reconhece. "Sinto que as coisas se apresentam a você, que os afins acabam por encontrar-se", explica. Tendo participado de sua primeira exposição em 1966, com apenas 18 anos, Tuneu tem atrás de si uma longa trajetória, que inclui quatro participações na Bienal de São Paulo.Ele adotou o construtivismo; "O que me interessa é esse trabalho simples, direto, sem psicologismos." Mesmo assim, nunca abandonou a figuração. Mesmo sem nunca expor esses trabalhos, ele anda sempre com um caderninho e material de pintura e aquarela para registrar o que passa diante de seus olhos. "É quase que um treino de disciplina e do olhar", diz.
Apesar dessa íntima relação de aprendizado e troca com grandes figuras da arte brasileira, Tuneu não se ilude com relação ao caráter nacional da arte produzida no País. "A raiz disso tudo é o cubismo, que possibilitou o surgimento de três principais vertentes de arte moderna: o expressionismo, a abstração e o surrealismo, em certos aspectos." Serviço - "Tuneu". De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 11 às 14 horas. Gabinete de Arte Raquel Arnaud. Rua Artur de Azevedo, 401, tel. (011) 883-6322. Até 16/7.


