O arqueólogo da MPB
Além da coleção ''Pra Sempre'', o jornalista, pesquisador e escritor Marcelo Fróes ele é autor do livro ''Jovem Guarda em Ritmo de Aventura'', lançado em 2000 pela editora 34 vai tocando outros projetos paralelos de recuperação e restauração da discografia de vários artistas. É dele, por exemplo, o pacote ''Ensaio Geral'' (1999) em que vasculhou os sítios arqueológicos de Gilberto Gil e encontrou gravações não incluídas na discografia oficial do agora ministro da Cultura. Também teve seu empenho o disco ''Renato Russo Presente'' (2003) em que remexeu guardados do vocalista do Legião Urbana e encontrou muita coisa boa Nara Leão, Vinicius de Moraes, entre outros, também tiveram seus baús remexidos.
E a coisa não pára por aí. Há um bom tempo ele vem trabalhando num box com a discografia original de Jorge Ben (anos 60/70/80) para a gravadora Universal. Há também um trabalho similar com Gal Costa iniciado em 1999 a pedido da BMG e que agora deve buscar ar suficiente para seguir adiante. ''Por último, estou preparando um box com os álbuns de Erasmo Carlos na fase da Jovem Guarda, alguns inéditos em CD até agora'', avisa. A seguir os principais trechos da entrevista que Marcelo Fróes concedeu por e-mail à Folha2.
De quem partiu a idéia de fazer esse projeto? Quanto tempo de trabalho? Quando começou?
Bem, naturalmente desde que surgiu a onda dos boxes suponho que a Sony desejasse fazer um box do Roberto Carlos. Volta e meia ouvia isso lá dentro, e eu sempre falei que independente de box os discos do Roberto mereciam reedições caprichadas, com letras, ficha técnica, capa e contracapa bem escaneadas e minuciosa remasterização. Este projeto ''Pra Sempre'' começou no início do segundo semestre, tão logo ficou definido que não haveria disco inédito de Roberto neste Natal.
Você parece estar se especializando em trabalho de resgate (o do Gilberto gil, por exemplo, é fantástico) e preservação da memória musical brasileira. O que um trabalho como esse do Roberto significa para você, particularmente?
Um projeto que eu nunca me atrevi a propor, porque realmente não imaginava que um dia poderia estar envolvido em algo tão especial.
Você gosta do Roberto Carlos? Pergunto porque muitas pessoas gostam apenas de uma determinada fase dele, é o seu caso?
Gosto muito, desde criança. Naturalmente gosto mais da Jovem Guarda, porque pesquiso o assunto há muitos anos, tendo inclusive escrito o livro ''Jovem Guarda em Ritmo de Aventura'', Mas a fase dos anos 70 é trilha sonora para minha infância e início de minha adolescência, com os clássicos que marcaram época.
Qual artista da MPB você gostaria de fazer um trabalho semelhante? Posso estar equivocado, mas li em algum lugar que você faria um trabalho similar com a Maria Bethânia. Procede?
Tenho muita vontade de fazer algo com os discos de Bethânia, notadamente com os álbuns ao vivo dos anos 70. Gravavam shows de 2 horas e lançavam LPs de 40 minutos. Os tapes existem e podem render reedições duplas daqueles discos, em trabalho semelhante ao que já foi feito com discos do The Who e Eric Clapton, por exemplo. Há também vontade de fazer algo com material inédito de Caetano Veloso, dando continuidade a um trabalho que eu vinha desenvolvendo já na época da primeira caixa do Gil.





