Cena de ‘‘Ou Tudo ou Nada’’: comédia inglesa de baixo orçamento é sucesso mundialO que você faria se estivesse desempregado? Gaz e seus amigos tomaram uma decisão radical: tirar toda a roupa em um show de ‘‘strippers’’. Este é o mote principal do maior sucesso inglês de todos os tempos, a comédia ‘‘Ou Tudo ou Nada’’ (The Full Monty - Inglaterra 1997), dirigida por Peter Cattaneo e que depois de uma série de pré-estréias no período carnavalesco, tem lançamento nacional hoje em todo o Brasil (ver programação na página 5).
Com um custo total de pouco mais de três milhões de dólares, o filme de Cattaneo compensa o baixo orçamento com criatividade, integrando um grupo de bons atores (embora quase desconhecidos) a um roteiro singelo e cheio de ‘‘fortes emoções’’.
Tudo começa quando Gaz (Robert Carlyle, o psicopata de ‘‘Trainspotting’’), decide faturar fáácil e propõe aos amigos montarem um show de ‘‘strip-tease’’ cujo ponto alto seria um apoteótico nu total (‘‘The Full Monty’’, título original do filme). Gaz precisa de dinheiro para poder continuar pagando a pensão de seu filho, caso contráário, ele não poderáá mais vê-lo. Existe no entanto, um problema maior a ser resolvido e o roteiro de Simon Beaufoy tira ótimo proveito disso: Gaz e seus amigos são homens comuns, sem nenhum atrativo físico que justifique a realização do show. Mesmo assim, completamente fora dos padrões de estética e beleza, os seis desempregados começam a ensaiar utilizando o mais velho do grupo, que adora dança de salão, como instrutor.
A trilha sonora de ‘‘Ou Tudo ou Nada’’ vem recheada de hits dos tempos da discoteca, principalmente Donna Summer, cuja música ‘‘Hot Stuff’’ serve de fundo para uma das sequências mais hilariantes do filme, quando todos estão na fila do seguro desemprego, misturados com outros desempregados e a música começa a tocar na caixa de som do local.
Produção independente inglesa, ‘‘Ou Tudo ou Nada’’ foi comprado pela Fox Searchlight (divisão da Fox que trabalha somente com filmes de baixo orçaamento e para públicos especiais) e revelou-se um ótimo negócio. A Fox pagou 3,5 milhões de dólares pelos direitos de distribuição mundial e o filme jáá faturou mais de 150 milhões, provando mais uma vez que é possível fazer bom cinema com pouco dinheiro e agradar o público. A Academia não deixou passar em branco e o indicou para quatro Oscars importantes: melhor filme, diretor, roteiro original e trilha sonora para musical ou comédia.

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