Jacqueline Sasano/DivulgaçãoIntegrantes de ‘‘Alice Através do Espelho’’: ‘‘o sucesso não nos subiu à cabeça’’Em uma área que o sucesso é uma verdadeira incógnita, mesmo quando se trata de profissionais experientes, eles começaram com casa lotada, quase quatro meses em cartaz e aplausos, muitos aplausos. Daqui para frente querem mais, muito mais, mas garantem que têm os pés bem fincados no chão. ‘‘Apesar de estarmos no bercinho - estamos apenas começando - não somos sonhadores. Sabemos que temos muito trabalho pela frente’’, afirma Rodrigo Fregman. ‘‘O sucesso de ‘Alice Através do Espelho’ não subiu às nossas cabeças’’.
Os formandos da Escola Municipal de Teatro, mais conhecidos como os integrantes de ‘‘Alice Através do Espelho’’, estão concluindo o curso de teatro de dois anos e a maioria quer se profissionalizar e viver de teatro.
Apesar de começarem em teatro experimentando o sucesso eles afirmam que não têm a ilusão de que o caminho será sem pedras. ‘‘Nós conhecemos todo o processo, o trabalho que tivemos e ainda temos antes de cada apresentação’’, afirma Bruno Moraes. Eles contam que pegaram no pesado. Fizeram de tudo desde costurar cortinas, limpar chão, lavar banheiro, construir o cenário, até o ensaio do texto em si.
‘‘Este é um dos méritos da Escola (Municipal de Teatro)’’, diz Rodrigo Fregman. ‘‘Não ficamos só na teoria. No último semestre pegamos no pesado como qualquer grupo profissional’’. Para eles esta experiência os ajuda a ter uma visão real do que os espera pela frente. ‘‘Começamos tendo um contato muito estreito com o teatro profissional no Brasil’’, avalia Rodrigo Fregman.
Apesar da lucidez que apresentam sobre a profissão é cedo para dizerem o que fazer daqui para frente. O caminho que irão trilhar para cavar seus espaços ainda não está claro. Por enquanto querem continuar concentrando suas energias em ‘‘Alice Através do Espelho’’, para fechar a temporada com chave de ouro. O sucesso das apresentações os pegou de surpresa e ainda estão metabolizando os últimos quatro meses de glória.
Segundo Rodrigo Fregman, a peça é um ‘‘cartão de visitas’’ da Escola Municipal de Teatro. ‘‘Queremos que a peça se torne um cartão de visitas para nós também’’, complementa. Todas as respostas para o grupo acabam convergindo para ‘‘Alice...’, ou melhor para o sucesso da montagem.
Há mercado em Londrina para absorvê-los? Há público consumidor? Quais as perspectivas daqui para frente? Rafaela Rocha diz tudo: ‘‘Nunca imaginamos ficar tanto tempo em cartaz, com casa lotada. A partir disto, acredito que tudo é possível, os caminhos são muitos’’.
A questão do público é o que parece mais surpreender os jovens atores. ‘‘Nós não tivemos apenas casa lotada’’, diz Flávia Menezes. ‘‘Vimos também um público diferente: famílias inteiras, desde avó até os netos, até mesmo pessoas que antes nunca tinham pisado em um teatro’’.
Quando se fala em público os formandos apostam que com o curso de Artes Cênicas da UEL e a Escola Municipal de Teatro, Londrina começa a viver a formação de um público consumidor. O diretor da Escola, Maurício Arruda Mendonça afirma que o objetivo da Escola é justamente a formação de atores e ou de público.
Quando as cortinas se fecharem no final da temporada cada ator de ‘‘Alice...’’ começa a sua própria viagem em busca do teatro profissional. Muitos continuarão vinculados à Escola Municipal de Teatro como monitores. ‘‘São jovens muito talentosos’’, afirma Maurício Mendonça. ‘‘Eles são potencialmente a nova geração de atores e atrizes de teatro em Londrina’’.
Mas para falar sobre o que vai acontecer ainda é cedo, segundo Maurício Mendonça. ‘‘O que dá para se prever com certa margem de certeza é que a Escola vai continuar oferecendo oficinas, das quais eles irão participar e terão seus trabalhos complementados’’. Segundo Maurício Mendonça, outra possibilidade é a retomada de ‘‘Alice...’’ no segundo semestre.
‘‘A peça não pode ser descartada agora’’, afirma o diretor da Escola. Segundo ele, entre outros fatores, sem dúvida o grande sucesso de ‘‘Alice...’’ se deve à concepção de encenação de Paulo de Moraes - ‘‘que foi muito feliz’’ - e à encenação dos alunos da Escola.
O grupo tem também o desejo de montar uma companhia de teatro. Mas em função de ‘‘Alice...’’ ainda não pararam para amadurecer a idéia. De alguma forma acreditam que irão encontrar eco para o trabalho que querem desenvolver. ‘‘Trabalhamos com as emoções do ser humano e isto é muito enriquecedor’’, afirma Rodrigo Fregman. Eles estão ‘‘explodindo de felicidade’’, sabem que querem ser atores, e o caminho a seguir ainda está por se apresentar.
No momento querem comemorar o rumo que a escolha que fizeram - o teatro - acabou tomando e para isto, hoje estarão promovendo uma festa no Empório Guimarães, a partir das 21h30. Os ingressos estão à venda no Pátio San Miguel, na avenida Higienópolis, a R$ 10,00. Para estudantes e colaboradores da Funcart o ingresso custa R$ 5,00.

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