O apelo de ''Beleza Americana''
Filme que estréia oficialmente hoje no País, é uma bem-acabada produção que mostra os conflitos da pós-revolução sexual
ReproduçãoBeleza Americana mostra a América suburbana cheia de frustrações sexuais e cotidiano consumistaHá muito anos não se fazia contagem regressiva para o Oscar tão cheia de boas surpresas. O Sexto Sentido está na parada não somente como recompensa por seu exemplar comportamento no box-office (quase 300 milhões, só na contabilidade americana), mas porque é de fato um filme muito acima da média extra-sensorial vigente, com roteiro ardiloso e direção inspirada do indiano M. Night Shiamalan. As Regras da Vida, que Lasse Halstrom apresentou ano passado no Festival de Veneza, é outro que chegou lá sem que ninguém esperasse - o tema do aborto é presença forte no filme. O Informante (leia matéria nesta página) concorre também com muitos méritos.
Mas é Beleza Americana que tem a sagacidade, o frescor da boas releituras, o carisma e o talento para levar algumas das oito estatuetas a que concorre. Na boa trilha de Mike Nichols, Robert Altman, Coppola, Milos Forman e John Schlesinger, os estreantes Alan Ball (roteirista) e Sam Mendes (diretor) foram ao coração - ou desceram ao inferno? - da América suburbana de frustrações sexuais e cotidiano consumista. Reuniram uma emblemática parcela burguesa à beira de uma ataque de nervos e revelaram em duas horas o lado nada reluzente da pós-revolução sexual e da prosperidade econômica. O filme é de uma eficácia a toda prova, e seus dois pecadilhos - o minilabirinto final que força o espectador ao jogo inútil do quem-matou e o personagem superficial, inconsistente de rei de Peter Gallagher - não são suficientes para tirar o brilho da insolência e do vigor da crítica social.(C.E.L.J.)





