Que pode uma criatura no mundo a não ser amar, questionou-se oportunamente o poeta. Famosos ou anônimos, reais ou mitológicos, os amantes perpetuam esse sentimento que não se explica. Sente-se, e basta-se por si só.
Amores bíblicos, como o de Nabucodonosor, que construiu jardins suspensos no meio do deserto, só para agradar à esposa, que suspirava, saudosa da terra natal, nunca deixaram de existiram.
Com todo o tempo mitológico do mundo para amar, Zeus, o deus supremo do Olimpo, buscava parceiras. Ele amava a esposa Hera, mas amou muitas mulheres na terra, e conquistou-as de modo original. Ao desejar Leda, esposa de Tíndaro, rei de Esparta, metamorfoseou-se em cisne e ganhou dela o amor que procurara. Leda pôs dois ovos e deles nasceram dois pares de gêmeos: Helena e Clitemnestra; Castor e Polux. Hoje, ao olhar para o céu, está lá a prova do amor de Leda e Zeus: a constelação de Gêmeos, com as estrelas Castor e Polux.
O amor, amalgamado por uma paixão desenfreada tirou o norte do escritor inglês Oscar Wilde. Por amor ao lorde Alfred Douglas, Wilde amargou dois anos de trabalhos forçados na prisão. Arruinado financeiramente, banido pela sociedade e doente, ele morreu. Mas será que abdicaria do amor intenso que viveu?
A dor de amar pode ter sido a mola que impeliu o talento do poeta francês do século 19, Arthur Rimbaud. Com o poeta Paul Verlaine, Rimbaud viveu o amor e todas as implicações de uma relação homossexual. O desejo e o ciúme, tonalidades dentro do prisma amoroso, fizeram com que Verlaine baleasse Rimbaud no pulso. Separados, eles remetaram às obras todo o sentimento do mundo.
O amor, disse Chico Buarque, exige tempo, arte e delicadeza. Ele assim se confessa em ‘‘Todo o Sentimento’’:‘‘Preciso descobrir o tempo de te amar, te amando devagar e urgentemente’’. No confessionário, ele resume o que dizem por aí os amantes, acerca da necessidade da presença física do ser amado: ‘‘Apenas seguirei, como encantado, ao lado teu.’’ (M.B.)

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