Arquivo Folha




O príncipe de Gales e Camilla Parker-Bowles: a hipótese mais comentada é a de casamento morganáticoA Igreja Anglicana, os assessores da rainha Elizabeth II e a imprensa, que até pouco tempo se mostraram hostis à idéia de casamento morganático do Príncipe de Gales com Camilla Parker-Bowles, falam cada vez mais abertamente sobre esta possibilidade.
Os analistas da monarquia estão convencidos de que o debate está sendo sabiamente administrado pelo casal e seu meio para reabilitar sua imagem e preparar o reino para um segundo casamento do herdeiro do trono, que há um ano se divorciou da princesa Diana.
Ao contrário, as opiniões divergem sobre o grau de consentimento da Rainha e da bênção de influentes prelados. Pelo menos, é o que mostra a imprensa principalmente como o jornal Sunday Times que acredita ser impossível um sucesso da ‘‘operação sedução’’ e outros veículos que, como o Express on Sunday, afirmam que a Rainha detestou a idéia.
Em qualquer caso, Camilla Parker-Bowles é alvo de muito mais indulgência, depois de ter sido caricaturizada pela imprensa popular como ‘‘terceira em discórdia’’, sem escrúpulos e como a ‘‘bruxa mᒒ, que enganou a ‘‘fada’’ Diana.
Agora, a imprensa dá conta do avanço rápido da ofensiva de relações públicas do casal. No próximo dia 17, Camilla, que foi nomeada no início do ano madrinha da Sociedade contra a Osteoporose, será acolhida com uma recepção no castelo de Highgrove em comemoração aos seus 50 anos. Depois, ela poderá passar alguns dias de descanso na companhia do príncipe.
Ao mesmo tempo, Camilla, divorciada em 1995, é a heroína de dois documentários da televisão: o primeiro, transmitido pelo Canal 5, traçará hoje o retrato de uma mulher, cuja bisavó, Alice Keppel, escandalizou a sociedade com seu romance com o rei Eduardo VII, bisavô de Charles.
OsteoporoseDiante das câmeras de televisão, Camilla se limita a evocar a compaixão pelas vítimas da osteoporose, permitindo a amizade daqueles que sugerem um segundo casamento e destacam sua ‘‘positiva influência sobre o Príncipe’’.
O retrato é completado com um programa, transmitido pela BBC, que examina o futuro de sua relação com o Príncipe e suas consequências para a monarquia.
O arquidiácono de York, George Austin, alto representante da Igreja Anglicana, acredita que se o casamento não é a solução ideal, pelo menos é ‘‘preferível às relações extraconjugais’’.
No entanto, uma das hipóteses mais comentadas é a do casamento morganático, que impediria que Camilla gozasse dos vários privilégios reservados à cônjuge do Príncipe, começando pelo título de princesa de Gales, que Diana levou consigo após o divórcio.
Ainda faltaria a aprovação do Parlamento, sem dúvida melhor disposto após a esmagadora vitória trabalhista nas eleições de maio passado. Em princípio, a anterior maioria conservadora não via com bons olhos um segundo casamento de Charles, futuro chefe da Igreja Anglicana.
Contudo, Camilla ainda deve ganhar a simpatia de seus compatriotas, 79% dos quais a acusam, em uma pesquisa de opinião, de ser a principal culpada pelo fracasso do casamento de Charles e Diana.
No momento, muitos britânicos já admitem o compromisso que permitiu a Camilla se instalar em Ray Mill House, propriedade vizinha à de Charles.

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