Uma comédia francesa leve, açucarada e divertida, o filme ''Românticos Anônimos'' - estreia desta semana na programação do Cine Com-Tour/UEL - é uma história romântica que foge dos moldes convencionais, e surpreende principalmente pela peculiariedade de seus protagonistas, que sofrem dos mais variados tipos de fobias e esquisitices emocionais.
De um lado, está a bela loira de cabelos encaracolados Angélique (Isabelle Carré), uma chocolatier de talento, que cria delícias surpreendentes mas que é tão tímida que sofre ataques de pânico - e desmaia - quando alguém elogia suas receitas. Por causa de seus problemas, Angélique frequenta o ''Emotivos Anônimos'', grupo onde pessoas hiper-sensíveis compartilham suas experiências e seguem um programa de ''12 passos'' para a reabilitação emocional. Decidida a enfrentar seus medos, ela resolve se candidatar a uma vaga de emprego na fábrica Chocolate Mill, que comercializa bombons.
O dono da fábrica, Jean-René (Benoit Poelvoorde), é igualmente desajustado. ''Você ama chocolate?'', ele pergunta, na entrevista de emprego. ''Todos amam chocolate'', a loira responde. ''Sim, mas você ama chocolate, de verdade?'', insiste o empresário, meio sem jeito, antes de decidir contratá-la. A fábrica, antiga e desadaptada, está à beira da falência. Jean-René compartilha as próprias preocupações no divã de seu terapeuta, que tenta ajudá-lo a se socializar oferecendo, a cada nova sessão, alguns objetivos para o paciente cumprir. A lista de fobias é longa - René não atende o próprio telefone, não toca em ninguém e transpira excessivamente na presença de mulheres.
A primeira 'missão' de René é: ''chame alguém para sair''. Ele, fascinado por Angélique, convida sua recém-contratada funcionária para um jantar. Como esperado, uma simples refeição toma proporções homéricas para o problemático casal, e acaba se transformando em uma das sequências mais engraçadas - e pouco confortáveis - de todo o filme.
Bem dirigido pelo cineasta Jean-Pierre Améris, ''Românticos Anônimos'' mantém, com sucesso, uma atmosfera de 'conto de fadas', e por esta razão é que acreditamos na ingênua história de amor que começa a surgir, mesmo contra todas as probabilidades. Sem ter a pretensão de ser mais profundo ou realista, acompanhamos, sempre com um sorriso, a estranha química que surge entre os dois personagens. Angélique dá pulinhos de alegria e sussura canções para espantar sua ansiedade, enquanto Jean-René, antes tão sério e distante, começa a sorrir e ter mais contato com o mundo.
Mesmo correndo o risco de ser açucarada demais para alguns paladares, não existe dúvida de que, dentro do gênero de comédias 'água com açúcar', ''Românticos Anônimos'' acaba sendo muito mais engraçada e interessante do que a maioria das produções no mercado. Relaxe, dê uma mordida despretensiosa, e deixe essa história derreter na sua boca.

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