O amor contamina as palavras
Trinta e quatro anos atrás Nathalia Timberg e Sérgio Britto subiram ao palco para viver pela primeira vez, respectivamente, a atriz Beatrice Stella Campbell e o escritor Georg Bernard Shaw. Em 1988 repetiram a dose e agora, dez anos depois, unem-se mais uma vez para a terceira montagem de Querido Mentiroso, em cartaz hoje e amanhã no Teatro Fernanda Montenegro.
A peça é um apanhado das cartas trocadas entre os dois amigos por quatro longas décadas. Mesmo amores muitas vezes intensos não duram a metade desse tempo. Mas o escritor e a atriz alimentaram essa vivência distante (amor platônico?) com milhares de linhas, de palavras, de observações e sentimentos. A primeira carta partiu de Shaw no dia 12 de abril de 1899.
A mulher a quem escrevia era sua musa inspiradora. Para ela escreveu Pigmalião e My Fair Lady. O célebre escriba, fino e sagaz nas letras, encontrava na atriz um páreo duro. Ele pode ser o dono da palavra, como ela da interpretação, mas neste duelo era preciso estar atento. Se escrevesse tão bem como você, me corresponderia com Deus, disparou Beatrice numa das missivas.
A comédia esteve em Curitiba há dez anos, no Guairinha, com direção de Wolf Maia. Hoje ela não ostenta nome de nenhum diretor nos letreiros. A convivência e a amizade entre Nathalia e Britto dispensam direção de terceiros. Eles são amigos há meio século, e estão mais entrosados que nunca. Tanto é verdade que se uniram na produção.
Nathalia diz que com todos esses anos de carreira, temos uma nova leitura da peça. Tenho certeza que agora temos mais densidade e força na interpretação dos personagens. Sérgio Britto concorda e acrescenta: Temos entrosamento na hora do espetáculo e na hora de produzi-lo. Nos conhecemos a tanto tempo que não existe mais espaço para picuinhas.Adriana Pittigliani/DivulgaçãoNathalia Timberg e Sérgio Britto em Querido Mentiroso, peça que conta a troca de correspondência amorosa entre Bernard Shaw e Beatrice StellaZeca Corrêa Leite





