O último show de Michael Jackson vai parar o mundo. Uma superprodução, o velório do astro hoje, é cercado de mistério, com direito ao sorteio planetário de ingressos que - de tão disputados - só se comparam grotescamente ao dos fantasiosos bilhetes premiados para conhecer a fábrica de sonhos de Willy Wonka. Assim como no cinema, a seleção concentrou as atenções da população mundial para saber quem seriam os sortudos que terão direito a se despedir do mito.
A imagem de Michael já foi tão bizarra quanto à de Willy Wonka, e sua ''Fantástica Fábrica de Chocolate'', personagem que não quis crescer, capaz de fazer maldades com criancinhas, mas que, apesar disso, todo mundo adora.
O que ninguém contesta é que a história do pop será dividida em a.M. (antes e depois de Michael).
A Era Michael Jackson ficará conhecida pelo famoso passo de dança ''Moonwalk'', criação atribuída ao ídolo, pela luva branca, dezenas de plásticas e uma trajetória enigmática, como rascunhou o mais fomoso clip do ídolo, ''Thriller''.
''Fiquei sabendo da morte do Michael pela internet. Foi o mesmo impacto da desaparecimento do Ayrton Senna. A primeira sensação foi de incredulidade. Às 19h30, quando a notícia se tornou oficial, eu lembrei de todo o período em que tinha um grupo de dança e fazia coreografias inspiradas no cantor e no The Jackson Five'', conta Dejair Dionísio, apresentador do programa de rádio ''Hip Hop & Cia.''.
Para Dejair, Michael está além de qualquer escândalo, passando para a história da música, dança e do movimento negro como um gênio.
No dia seguinte à notícia da morte do cantor, antes de abrir, a loja do Sebo Capricho já tinha gente esperando para comprar vinis, CDs, biografias, revistas e pôsteres do ídolo.
''Vendemos tudo o que tínhamos nos dois primeiros dias depois da morte do Michael Jackson. Não me lembro de uma venda tão grande assim relacionada à morte de alguém famoso. O único vinil que ficou foi o ''History'', de 1995, que custa R$ 100 e tem a imagem do cantor impressa no próprio disco. Guardamos somente outros dois discos para poder tocar na loja'', conta a funcionária do sebo, Rosemari Marcelino, acrescentando que os preços não foram inflacionados, mas que alguns clientes que agora querem vender relíquias do ídolo pop esperam um valor maior pelo material.
Nos camelódromos londrinenses a procura por lembranças do cantor também foi grande, até pelos que não fazem parte da legião de fãs e que não têm idade para ter acompanhado a trajetória do astro.
A vendedora de uma dessas lojas, Cecília Aparecida Nascimento, conta que Michael Jackson sempre vendeu, mas numa média de dois a três CDs ou DVDs por dia. O giro depois da morte passou a 60 exemplares diários.
Cecília tem vendido
Leandro Caviolo, gerente da Livraria Porto, do Shopping Catuaí, lembra que o desaparecimento de Freddie Mercury, vocalista da banda inglesa Queen, provocou uma corrida de fãs às lojas, mas nada comparável ao fenômeno Michael Jackson.
''Foi uma loucura. Entre os fãs tem de tudo, mas o que surpreendeu mesmo foi a quantidade de adolescentes interessados no cantor. Vendemos tudo o que tínhamos. Para esta semana estamos repondo o estoque. Acredito que as vendas vão superar em muito ainda, já que novos produtos devem ser lançados'', afirma Caviolo.
Ao se tornar mito, Michael Jackson supera qualquer bizarrice de uma biografia que termina com a enigmática e sinistra voz de Vincent Price em ''Thriller', deixando um suspense para os fãs. Alguns dos quais até acreditam que o anúncio da morte é uma estratégia mirabolante de marketing de lançamento da turnê inglesa do astro, torcendo para que o cantor volte do mundo dos mortos.

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