O Paraná perdeu um dos pioneiros da sua comunicação. O jornalista e radialista Osni Bermudes, 66 anos, morreu às 17h30 de quarta-feira, vítima de insuficiência respiratória. Ele sofria de Mal de Parkinson há mais de 20 anos. Seu corpo foi enterrado no final da tarde de ontem, no Cemitério Municipal de Curitiba. Bermudes era casado e tinha três filhos, os gêmeos Osni Bermudes Júnior e Ana Cristina, 40 anos, e Gilberto Gil Bermudes, 30 anos.
Bermudes ficou nacionalmente conhecido por suas traquitanas, criadas no final da década de 50. Eram bonecos em movimento que entravam no ar nos espaços comerciais da televisão. ''Ele era o Hans Donner da época'', comenta o jornalista Osni Bermudes Júnior.
Antes disto, nos intervalos dos programas entrava apenas música e um slide com a logomarca da TV, o que deixava Bermudes inconformado. Aproveitando mecanismos de bonecos estragados, ele criou as traquitanas. A primeira foi ao ar no Carnaval de 1963 e o resultado foi tão bom que, rapidamente, Bermudes criou um calendário de datas comemorativas.
Havia então, um boneco específico para o Natal, Páscoa, Dia das Mães, dos Pais ou das Crianças, por exemplo. Em entrevista concedida à Folha anos atrás, Bermudes comentou que uma de suas melhores criações havia sido um Pato Donald derramando lágrimas, que foi ao ar no dia em que seu criador, Walt Disney, morreu.
Além de criador das traquitanas, Osni Bermudes foi diretor de TV nos canais 4, 6 e 12, em Curitiba. ''Mais que isso, ajudou a fundar estes canais'', comenta o filho. Entre outros méritos, ele também participou da coordenação da primeira transmissão a cores da televisão paranaense.
Objetos de todas estas fases foram colecionados por Bermudes, que passou a manter em sua casa uma espécie de museu das comunicações. Ali estão todas as traquitanas, dezenas de aparelhos de televisão antigos e mais de 300 de rádio (todos funcionando graças a sua perícia técnica). Ele guardava ainda peças únicas, como o primeiro microfone utilizado num programa de rádio no Paraná e a primeira câmera de TV. ''Era um hobby, ele adorava fazer isto'', diz Bermudes Júnior.
Seus futuros projetos, segundo o filho, eram concretizar o museu e escrever um livro com a história das comunicações no Paraná. ''Ele alegava que as faculdades de jornalismo ensinam apenas a história nacional, ignorando a memória local'', conta. ''Ele queria que o museu e o livro dessem subsídio para isto''. A família, garante Bermudes Júnior, deverá dar prosseguimento ao projeto do museu.

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