ReproduçãoAntonio Callado: respeitado como jornalista, escritor e dramaturgo

O corpo do escritor, dramaturgo e jornalista Antonio Callado foi enterrado, ontem pela manhã, no panteão da Associação Brasileira de Letras, no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, depois de ser velado no Salão dos Poetas Românticos, na ABL, da qual era membro desde 1994. Uma multidão acompanhou o enterro. Entre os presentes acadêmicos, escritores, cineastas, jornalistas e estudantes, além de diversas autoridades. Callado morreu terça-feira, aos 80 anos, de câncer. Ele havia sido internado na manhã daquele dia na Clínica São Vicente, após sofrer uma queda em casa e fraturar o fêmur. Os médicos decidiram, depois de consultar a família, não submetê-lo à cirurgia. O escritor morreu às 16h30, de forma tranquila, ao lado de sua filha, a atriz Tessy Callado.
Callado sofria de câncer na próstata desde 1984. Em 94, os médicos constataram que o câncer havia se generalizado. O escritor publicou seu último artigo na ‘‘Folha de São Paulo’’, em 21 de dezembro de 1996, naquele que acabou sendo o encerramento de uma colaboração semanal para a ‘‘Ilustrada’’ iniciada em 1992. No domingo passado, dia em que completou 80 anos, a mesma ‘‘Ilustrada’’ publicou sua última entrevista. Nela, definiu sua idade como ‘‘um horror’’. ‘‘Oitenta anos é a idade para o sujeito morrer, nada mais além disso.’’ Callado era casado há 20 anos com a jornalista Ana Arruda. Deixou dois filhos e quatro netos.

‘‘Quarup’’, sua
grande obra,
foi lançada
em 1967

Correspondente Antonio Carlos Callado nasceu em 26 de janeiro de 1917, na cidade de Niterói (RJ). Filho de médico e poeta com uma professora, iniciou a carreira jornalística no jornal ‘‘Correio da Manh㒒, aos 20 anos. Em 1941, Callado mudou-se para Londres, onde foi contratado pela rede de rádio e televisão BBC. Lá conheceu e casou-se, em 1943, com a inglesa Jean Maxine Watson, também funcionária da BBC. O escritor ficou cinco anos na Europa.
Em 1947, voltou ao Brasil e ao ‘‘Correio da Manh㒒, onde ocuparia o cargo de redator-chefe entre os anos de 54 e 59. Nestes 12 anos no jornal, lançou as peças ‘‘O Fígado de Prometeu’’, em 1951, seu primeiro livro; e ‘‘Pedro Mico’’, em 1957, que foi reeditado em 1966, pela editora Nova Fronteira. Saiu do ‘‘Correio da Manh㒒 para ser editor de uma nova enciclopédia, a Barsa.
Voltou ao jornalismo somente em 1963, como editor do ‘‘Jornal do Brasil’’. Escreveu, em 1964, um livro de reportagens chamado ‘‘Tempo de Arraes’’, sobre o político pernambucano Miguel Arraes. Uma de suas maiores obras, ‘‘Quarup’’, é lançada em 1967. Ruy Guerra a adaptou para o cinema em 1989.
Em 1968, como correspondente do ‘‘Jornal do Brasil’’, Callado viajou ao Vietnã, para acompanhar a guerra. Foi o único jornalista sul-americano a visitar o Vietnã do Norte na época. Da experiência surgiu o livro ‘‘Vietnã do Norte’’. Em 1976, Callado casou-se com a também jornalista Ana Arruda e lançou o romance ‘‘Reflexos do Baile’’. Em agosto de 1987, o escritor recebeu o troféu ‘‘Juca Pato’’ de intelectual de 86. Apesar de resistir a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, Callado foi eleito, em março de 1994, para ocupar a cadeira 8, de Austregésilo de Athayde.


Escritor prefaciou
livro de Arraes

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