Pedro saiu da escola meio emburrado. Tinha mais um trabalho complicado para fazer, desta vez sobre folclore brasileiro. Os temas foram divididos entre os alunos da sala e para ele coube falar sobre as festas populares. Festas populares?
Perguntou à professora o que eram festas populares e ela exemplificou uma série de festas realizadas nas mais diversas regiões do Brasil. Pedro só reconheceu duas coisas familiares nas palavras da professora: Carnaval e Festa Junina. O resto, eram todas coisas estranhas como Festa de Boi, Festa do Divino, Cavalhada, Marujada, etc.
No caminho de volta para casa ficou pensando sobre o assunto e caiu num poço de dúvidas. Se existem muitas festas populares no país, por que só se fala em Carnaval? Por que a televisão, todo ano, durante dias e dias, mostra o Carnaval e mais Carnaval e não mostra nenhuma Festa de Boi? Por que todo ano tinha festa junina na escola e nunca a tal Festa do Divino?
Quando chegou em casa teve a alegria de encontrar o tio Caco, conhecido como ‘‘titio sabe tudo’’. Descarregou aquele monte de perguntas e ficou esperando. O tio disse que as festas populares eram acontecimentos regionais, traziam os costumes das regiões onde haviam sido criadas. E como o Brasil possuía uma grande diversidade cultural, era comum as pessoas não conhecerem as festas de outras regiões. Falou que estas festas faziam parte de uma cultura popular transmitida de geração em geração. Falou que o Carnaval era uma festa que envolvia muito dinheiro e por isso era a mais divulgada e outras coisas que Pedro nem ouviu direito. Ficou interessado mesmo foi no livro que o tio tirou da mochila dizendo que tinha acabado de comprar e talvez o ajudaria em seu trabalho de escola.
O livro era ‘‘O Brasil em Festa’’, escrito por Sávia Dumont e lançado pela Editora Companhia das Letrinhas. Ilustrado por Demóstenes (utilizando colagem com tecidos), apresentava, ao público infanto-juvenil, as mais tradicionais festas populares brasileiras: Festas de Boi, Festas Juninas, Festa do Frevo, Cavalhada, Folia de Reis, Festa do Divino, Danças Gaúchas, Dança de São Gonçalo, Congadas, Festas do Candomblé, Festa da Moça Nova, Festa de Iemanjá, Carnaval, e Marujada (também chamada de Fandango).
Com a leitura do livro, Pedro descobriu uma série de coisas que não sabia, conheceu festas que nunca havia visto. Aprendeu, por exemplo, que a grande maioria das festas populares brasileiras estão ligadas a elementos religiosos. Que todas elas não são apenas festas, mas um tradição cultural que trazem dentro de si profundos significados. Lembrou de algumas palavras do tio, algo como ‘‘processos de socialização’’, que não entendeu muito bem. Compreendeu que essas festas, chamadas manifestações culturais, eram transmitidas de pais para filhos, de avós para os netos, através dos tempos.
Aí sentiu uma certa tristeza. Nem seus pais nem avós tinham-lhe ensinado a fazer parte de nenhuma das festas populares. Tudo que aprendeu sobre Festas Juninas foi na escola, sobre Carnaval, na televisão. Se algum dia, quando adulto, tivesse filhos, a única coisa que poderia ensinar para eles seria as coisas que estavam naquele livro, ou em outro qualquer. Achou melhor esquecer tudo aquilo e jogar bola na rua.
O Brasil em Festa – De Sávia Dumont, ilustrações de Demóstenes, Editora Companhia das Letrinhas, prefácio de Carlos Rodrigues Brandão, 80 páginas, R$ 23,00.

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