O ano de 2010 foi de êxito para o hip-hop. Rappers respeitados pelo movimento, como Emicida, Kamau e Flora Matos despontaram perante o grande público, algo que não acontecia desde Racionais MCs e Instituto. E esse é apenas o começo. Em 2011, uma nova leva de MCs deve invadir o cenário pop nacional.
Quem se deu conta dessa tendência e resolveu mostrar para todo o mundo que emo também pode ser mano foram os rapazes do NX Zero. Eles estão lançando o CD ''Projeto Paralelo'', em que repassam os principais sucessos da carreira em arranjos repletos de ''beats'' eletrônicos e ritmo de hip-hop, com participações de MCs renomados.
Quanto aos motivos para realizar um projeto curioso como esse, o vocalista Di Ferrero alega: ''A gente sempre quis fazer algo que misturasse rap com rock. Eu não faço rima, mas curto para caramba''.
E ele não nega o ''empurrãozinho'' que recebeu para realizar o projeto. ''A ideia partiu do Rick Bonadio, ele disse que o rap será a grande sensação em 2011'', revela Ferrero, referindo-se ao produtor responsável por fenômenos que vão de Mamonas Assassinas ao movimento emo.
Tanto que no disco do NX Zero aparecem duas apostas de Bonadio. Uma é o goiano Túlio Dek, que faz o estilo mais pop; a segunda é o rapper Rincon Sapiência. Bem cotado nas ''quebradas'', recentemente assinou com a Midas Music, selo de Bonadio.
A dupla está trabalhando em algumas faixas que devem sair em formato digital no começo de 2011. ''A princípio, o lance é gravar clipes e conseguir tocar em rádio. Estou botando fé'', expõe o rapper, que pode ser visto na MTV com o clipe ''Elegância''. ''Eu acredito que o rap esteja maduro o suficiente para chegar ao grande público.''
Além dele, outros MCs vêm se destacando por fazer um som menos ''barra pesada'' e mais musical e acessível. É o caso do carioca Akira Presidente e dos paulistanos Rael da Rima, Max B.O. e Manno Rah.
''O rap está sendo encarado mais como música e menos como discurso'', afirma Rael. ''Os rappers estão fazendo uma revolução, e o público está começando a correr atrás'', diz Rah. ''Nossa geração chegou ao rap por opção, e não por estar próxima do crime'', acrescenta Max B.O., apresentador do programa ''Manos e Minas'' (TV Cultura).

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