Nunca recusei meu passado
Nunca recusei meu passado
Amanhã, Darlene Glória estará em Curitiba, fazendo o lançamento do seu livro autobiográfico Uma Nova Glória como parte da programação do Fest Cine Vídeo. A sessão de autógrafos será às 17 horas, na Biblioteca Pública do Paraná. Do
seu apartamento em Copacabana, onde vive com seus três filhos - Rodrigo, João Marcos e Rebeca - Darlene Glória deu entrevista por telefone à Folha2.
Por que você resolveu lançar um livro sobre sua vida?
Esse era um projeto antigo. Desde minha conversão desejava contar o que tinha acontecido comigo. Terminei de escrever esse livro nos Estados Unidos porque longe do Brasil eu tive mais tempo de refletir e colocar no papel a minha história. É um livro absolutamente evangelístico que vai desde minha infância até meu encontro com Deus, com algumas passagens da minha vida artística. Existem mais coisas para contar, mas pretendo fazer isso em outro momento.
Durante muito tempo você pediu desculpas a Deus por ter sido atriz e procurou esquecer seu passado de estrela. Agora, você está voltando à cena, por quê?
Eu nunca pedi desculpas a Deus por ser atriz. A arte sempre esteve comigo porque é um dom divino. A partir do momento que
me converti, assumi um compromisso com Deus de estar na presença Dele. E, isso implicava em estar ausente da carreira artística porque precisava daquela reciclagem, daquele tempo a sós com Deus para amadurecer a minha fé. Depois de 10 anos de convertida eu fiz algumas voltas estratégicas na televisão, mas só agora alcancei a minha plenitude e me sinto preparada espiritualmente para retomar integralmente à minha carreira.
As coisas mudaram muito nesses 25 anos. Como foi voltar ao set de filmagem e se relacionar com uma nova geração de atores?
As mudanças estão mais relacionadas aos avanços tecnológicos. A arte em si não envelhece jamais. Mas foi muito bom conhecer novos atores. Estou muito à vontade no set de filmagem. Além disso, tenho pedido ao meu Pai que me dê a oportunidade de trabalhar em papéis que estejam de acordo com a minha convicção religiosa e também com a minha idade.
A personsagem Geni, de Toda Nudez Será Castigada foi seu grande papel no cinema. Você aceitaria interpretá-la novamente ou esse seu retorno implica em recusar determinados papéis?
Tudo tem um tempo certo, e não tenho mais idade para fazer essa personagem. Mas eu não recusaria interpretar uma outra prostituta no cinema desde que ela tivesse dignidade e uma mensagem para transmitir ao público.
Como a sua religião está encarando esse retorno à vida artística?
Todas às vezes que resolvi voltar, a resistência foi grande. Mas eu sempre esperei isso com a confiança de que eu não estaria fazendo nada de errado, mas apenas exercendo um dom que Deus me deu. Ser atriz é uma profissão como outra qualquer, o problema é que no passado eu confundia as coisas. Minha vida pessoal estava toda desordenada e eu precisa de um tempo, de uma cura interior. Eu precisava me colocar de pé como ser humano. Eu estava no auge da fama, mas também estava no auge do desespero.
Como foi trabalhar com cineastas como Arnaldo Jabor e Glauber Rocha?
Esses homens quanto mais genias, mais prazeroso é conviver com eles. Tive o privilégio de ser dirigida pelo Glauber Rocha em Terra em Transe e foi uma experiência inesquecível. Infelizmente, perdemos esse gênio precocemente. Agora, quanto o Arnaldo Jabor, acho lamentável que ele esteja afastado do cinema. O Jabor é um talento que está sendo desperdiçado, eu acho que ele deveria voltar ao cinema o mais rápido possível e com força total. Afinal, ele é um grande cineasta.
(C.M.)





