'Nunca recebi por sucesso em rádio'
Quando compôs a música "Mente, Mente", o londrinense Robinson Borba não imaginava que um dia fosse ganhar dinheiro com ela. "Lancei essa música em um disco que gravei em 1984, naquela época eu era da mesma turma que o Arrigo Barnabé e o Itamar Assunção. A gente vivia compondo porque gosta de música, nunca com o intuito de lucrar com isso", conta.
Dois anos depois de lançada, "Mente, Mente" foi regravada por Arrigo Barnabé em parceria com Ney Matogrosso. "Eles gravaram para o filme 'Cidade Oculta', mas o Ney gostou tanto da música decidiu incluí-la no disco 'Bugre', que ele gravou em 1986."
Em 1992, a música foi gravada novamente pela banda londrinense Chaminé Batom, e depois voltou ao repertório de Ney Matogrosso no álbum "Inclassificáveis" (2008), integrando a turnê de mesmo nome. "A cada show da turnê do Ney eu ganhava entre R$ 300 e R$ 500, além da participação na venda dos discos e nas apresentações de TV em que a canção foi interpretada. Acho justo o valor pago pela obra, mas não entendo muito bem a contagem que o Ecad faz por amostragem das músicas tocadas em rádio", diz o músico, que acrescenta: "'Mente, Mente' ficou em primeiro lugar durante três meses em uma rádio local quando o Chaminé Batom a regravou e, no entanto, nunca recebi um centavo do Ecad naquele período".
Segundo a assessoria de imprensa do Ecad, existem diversas rádios inadimplentes no país e pode ser que a rádio citada por Borba estivesse nessa lista naquela época. Em relação ao pagamento por amostragem das canções tocadas em rádio, no material explicativo da entidade informa que a amostra é desmembrada considerando as cinco regiões geográficas do Brasil: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Isso significa que o valor total arrecadado das emissoras de rádio de determinada região é dividido pelo total de obras captadas nas programações das rádios adimplentes dessa mesma região. Ao todo, são aproximadamente 3.000 emissoras, das quais 1.000 têm suas grades analisadas a cada trimestre. (M.R.)





