Números que atestam a qualidade
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Jackeline Seglin 
Cerca de 35 mil pessoas assistiram às atrações durante os dez dias da 32ª Mostra Regional/Nacional e Universitária do Filo. Os números, divulgados ontem pela diretora do evento, Nitis Jacon, em entrevista coletiva, superaram as expectativas da organização que esperava inicialmente atingir 30 mil espectadores. Chegamos ao clímax do festival. Esta Mostra foi a melhor, a mais completa e com público acima do previsto, comemora.
O número elevado justifica-se, segundo a organização, pela alta mobilização dos espetáculos apresentados em locais abertos. Foram estimados 20 mil espectadores-transeuntes nas dez apresentações de rua. Os 15 mil restantes, nas salas fechadas e eventos paralelos.
A maior platéia da Mostra, em sala fechada, foi a de Bonitinha, mas Ordinária - o que não significa necessariamente ter sido o melhor espetáculo. Nitis Jacon apontou como destaques da Mostra as montagens Registro (Quasar Cia. de Dança), O Beijo no Asfalto (Cia. Reviu a Volta), Godô (Stúdio I), Las Abarcas del Tiempo (Teatro de Los Andes), Diário das Crianças do Velho Quarteirão (Cemitério de Automóveis), A Sua Melhor Cia. - Ôba!!! (Cia. do Público) e Bonitinha, Mas Ordinária (Cia. Ordinária de Teatro).
Mas a grande atração, sem dúvida alguma, foi o espetáculo Mythos, do grupo Odin Teatret, considerado por Nitis Jacon um dos melhores já apresentados em toda a história do Filo. O balanço do evento não se encerra por aqui. Festival não é festival sem o eterno problema da falta de dinheiro. Trabalhando com um orçamento de R$ 500 mil para a Mostra Nacional, a diretora ainda corre atrás de patrocínio. Estamos aguardando a liberação de R$ 200 mil da Prefeitura e de mais R$ 200 mil do Governo do Estado, verba que será dividida entre as duas mostras, conta. Além disso, falta a liberação de R$ 250 mil referentes a uma emenda orçamentária. São 32 anos de história, cuja importância o Estado e o município não podem se eximir. Sabemos da difícil situação econômica, mas não dá para lavar as mãos, diz.
Enquanto negocia patrocínios para fechar a programação da fase internacional, Nitis Jacon faz suspense quanto às possíveis atrações do evento que acontece em junho. Ela apenas adianta que 15 companhias do exterior e quatro nacionais estão sendo contatadas. Confirmados estão o grupo francês Cacahuete e o polonês KTO. E uma grata surpresa: a atriz Denise Stoklos com Desobediência Civil, um espetáculo de muito humor, sensibilidade e lição de vida, baseado no discurso do filósofo norte-americano Henry Thoreau. O Cabaret do Filo também está garantido e, de acordo com Nitis, vai contar com pelo menos 10 atrações musicais.
A Mostra Internacional está orçada em R$ 1,2 milhão. Eu não tenho essa verba toda. Temos algo em torno de R$ 900 mil, observa. Novos contatos dependem da verba que está para chegar.
Rumo ao ano 2000, o Filo se prepara para o Festival de Todas as Artes, que reunirá as mais diversas tendências das artes cênicas. Para o evento, Nitis Jacon diz que uma coisa é certa: Vamos abrir o Festival no espaço reservado à construção do nosso Teatro Municipal (terreno na Avenida Leste-Oeste, ao lado do Pronto Atendimento Infantil - PAI).
Sobre a possibilidade do local ser ocupado por uma unidade de atendimento à terceira idade (VÔ), Nitis declara: Nossa obrigação é considerar que aquele espaço é do teatro. Se o prefeito acha que sua obrigação é construir o VÔ naquele local, nós confraternizamos e aproveitamos para lançar a frase Vô ao Teatro, ironiza. O Festival de Todas as Artes é uma evolução do Filo. E é a arte de ocupar espaços, é a construção da cidade para todas as artes..


