Apesar dos problemas enfrentados ao longo do ano, como a crise da Varig e o caos nos aeroportos, a indústria do turismo deve fechar 2006 com um crescimento de 10% em relação a 2005, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). A projeção considera dados do turismo interno e viagens ao exterior.
Boa parte desse crescimento se deve aos gastos de turistas estrangeiros no País, de acordo com o balanço parcial da entidade, que mede os gastos dos visitantes no Brasil. De janeiro a novembro, os turistas gastaram US$ 3,9 bilhão. Em todo o ano de 2005, esse número foi de US$ 3,8 bilhões. ''Devemos fechar o ano com gastos de US$ 4,3 bilhões. É um recorde para o setor'', afirma o diretor de estudos e pesquisas da Embratur, José Francisco Salles Lopes.
Apesar da repercussão negativa da crise nos aeroportos e da onda de violência no Rio de Janeiro, o turismo doméstico deve fechar o ano com um crescimento de 12%, segundo Lopes. ''Só não cresceremos mais porque a crise da Varig, no primeiro semestre, afetou muito a oferta de assentos nos aviões. Sem essa crise, faturaríamos US$ 300 milhões a mais'', diz.
Mesmo assim, as viagens domésticas por avião cresceram 9% ao longo do ano - sem a crise, poderiam ter crescido 15%, na avaliação da Embratur. Lopes acredita que as pessoas não estão deixando de viajar, apenas alterando seus roteiros. ''O que ocorre é uma migração de fluxo. As pessoas passam a viajar para lugares mais próximos, quando vêem que há problemas nos aeroportos'', diz. Um exemplo é o litoral paulista, que foi bastante procurado por turistas neste réveillon.
Para a rede hoteleira Accor Hotels, 2006 foi um ano bom. A rede, que administra as marcas Sofitel, Novotel, Ibis, Formule 1 e Mercure, deveria fechar 2006 com um crescimento de 17% no volume de negócios. O grupo registrou um aumento de 10% na ocupação dos hotéis, em todo o País. Só na cidade de São Paulo, esse crescimento foi de 15%. ''O setor de hotelaria vem mostrando avanços nos últimos dois anos. A perspectiva para 2007 é que continue crescendo'', afirma Orlando Souza, diretor de operações da Accor Hotels.
No entanto, alguns destinos turísticos sofreram os efeitos da crise da Varig e do apagão aéreo. ''Foi um bom ano, mas com algumas ressalvas. Em alguns destinos, como Foz do Iguaçu (PR) e no Nordeste, a queda na taxa de ocupação dos hotéis chegou a 30%'', diz Souza.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), confirma os dados. A entidade enviou, na sexta-feira, um relatório ao Ministério do Turismo, onde denuncia a queda na ocupação dos hotéis, sobretudo no Nordeste, e solicita medidas urgentes ao governo.
''A situação está muito complicada. A redução de 30% na ocupação da rede hoteleira ocorre justamente na alta temporada, período em que se registra ocupação máxima'', diz Eraldo Cruz, presidente da Abih. ''Porto de Galinhas, em Pernambuco, ainda está com disponibilidade para o reveillon'', lamenta.

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