‘‘Numa
roda somos
irmãos’’
Numa roda de Capoeira, tudo é envolvente. A música primitiva, a ginga, a malemolência e as acrobacias. Não é por menos que hoje muitos jovens preferem jogar Capoeira a outros esporte sugerido pela mídia. O que antes era para lutar pela libertação hoje serve como condicionamento físico, exercício de disciplina e lazer. Só não vale violência.
Um dos fundamentos básicos é o não contato corporal. ‘‘O capoeirista bom deve ser liso, saber se esquivar da agressão’’ - diz Sanhaço. Na roda dois oponentes se defrontam com o objetivo de derrubar o outro golpeando com as mãos, pés ou outra parte do corpo. O berimbau cadencia a ginga do confronto, como se fosse uma mais uma arma no combate. Se um terceiro na roda decidir comprar a briga para si, ele pode simplesmente entrar na frente do que pretende desafiar e tomar o lugar do outro.
A música é uma espécie de oração que dá o clima de religiosidade. Para o universitário Paulo Davantel, 17 anos, descendente de italianos, a mais linda delas é Negro de Luanda: Nêgo veio de Luanda, não sabia qual seu destino, saudade de suas mulheres, de sua terra, de seus filhos. ‘‘O jeito que o cara canta mexe com a alma da gente’’- diz Paulo que estuda Engenharia.
Com a Capoeira perdeu 18 quilos e está em forma. Seus irmãos, Fernando, de 15 e Gustavo de 13 anos praticam Capoeira há dois anos. Gustavo deixa de ir a festas, cinema, larga passeios, para jogar Capoeira. Fernando não suporta música americana mas se emociona com o toque do berimbau.‘‘A Capoeira me ensinou a ter disciplina e a não ter preconceito. Numa roda somos todos irmão, unidos pelo prazer de jogar e contra a violência, só na manha e na acrobacia’’- Paulo, que adora cantar as ladainhas e tocar pandeiro, diz que é um esporte de confraternização. ‘‘Tem feirante, estudante, gente rica, gente pobre, pedreiro, PhD. Mesmo que alguns ainda hoje a discriminem, a Capoeira não é mais marginal, e o ambiente é de respeito e de paz’’ -diz. (C.A.A.)

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