Jorge Eduardo
De Curitiba
O publicitário Ernani Buchmann, um dos donos da Get! Propaganda, lança segunda-feira, no espaço cultural Solar do Rosário, em Curitiba, seu primeiro livro de ficção. Depois de publicar, em 1987, o livro de crônicas ‘‘Cidades e Chuteiras’’, de boa aceitação local, Buchmann vem, 12 anos depois, com ‘‘Os Heróis da Liberdade’’, em que desfia idéias bem-humoradas em forma de histórias curtas que se encadeiam, formando uma única história que pode, ou não, ter final. Quem leu, aguarda a continuação. A editora é a LetraViva, do jornalista Celso Nascimento, que já fez publicar ‘‘Nem Só de Pão Vive o Homem’’, de Luiz Alfredo Malucelli.
‘‘Os heróis dessas páginas, os mesmos do dia-a-dia de nossas calçadas, e por isso mesmo tão plenos, são mágicos, tão mágicos como seu criador’’, define o jornalista Nilson Monteiro, da ‘‘Gazeta Mercantil’’, responsável pelo prefácio. A receita, aparentemente, é simples de tão óbvia - ou vice-versa -, mas é preciso talento e técnica literária para desenvolvê-la. Ernani Buchmann, pelo visto, é do ramo.
Uma hipotética Vila da Glória - xará da simpática cidadezinha catarinense, ali pertinho da baía de São Chico - é o cenário das aventuras e desventuras dos heróis criados ou adotados pelo autor. Cada um é um universo a ser tratado com desvelo, numa costura que pode remeter aos personagens e situações de Dias Gomes, em ‘‘Saramandaia’’ ou em ‘‘O Bem-amado’’, por exemplo. Mais ainda, chegam a lembrar as deliciosas invenções de João Ubaldo Ribeiro, que faz caber o mundo em sua pequena Ilha de Itaparica, no litoral baiano. Ou Aldir Blanc, cuja aldeia cantada e decantada é a Ilha do Governador, no Rio.
Ao longo de 154 páginas de um texto leve e bem-humorado, Ernani Buchmann conta 12 episódios, se é que podem ser assim chamados. Os personagens e seus dramas, o autor confessa na dedicatória, já existiram antes em outros lugares, viveram outras situações. O ciclista colombiano Quiroga, o diretor de cinema Coxinha, o boxeador Nego Mau, o feioso Marta Rocha, o bispo corcunda e tantos outros estão presentes em nosso imaginário, mas é sempre oportuno revê-los em outras formas e biografias.
Caso típico é o do radialista Willy Gaspar (seria o Willy Gonzer?), que narrou uma final de campeonato sem estar presente ao jogo e, no final... O final você vai ler no livro, mas há pelo menos uma história verídica, quase idêntica, vivida pelo jornalista Aloar Ribeiro, que, em ‘‘1900 e Hebe Camargo’’, já narrou uma partida em Londrina da sala de seu apartamento, em Curitiba. Não terá Ernani Buchmann, que já foi ‘‘latinha’’ do rádio esportivo, ouvido a história do próprio Aloar?
Apropriar-se do cotidiano, dar-lhe cores de ficção com histórias bem articuladas e um texto agradável é o que sonha todo candidato a escritor. E isso o autor de ‘‘Os Heróis da Liberdade’’ consegue, com brio e competência. Repórter de rádio, hoje comentarista esportivo, publicitário, jogador de truco - rude e inteligente esporte de cartas que ele, por sinal, descreve com exatidão num capítulo do livro - e até ex-cartola do Paraná Clube, Ernani Buchmann tem currículo para ser um grande contador de histórias.
Seu primeiro livro de ficção não é nenhuma obra-prima, mas é um bom começo, grande começo. Já que o autor é publicitário, lá vai a recomendação: ‘‘Os Heróis da Liberdade’’ pode ser um bom presente de Dia dos Pais.‘‘Os Heróis da Liberdade’’ é o nome do primeiro livro de ficção do publicitário curitibano Ernani Buchmann. Ao todo são 12 episódios bem-humorados
ReproduçãoErnani Buchmann apresenta, em seu livro, histórias bem articuladas e texto agradávelReprodução

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