Nudez e falta de poesia
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Descendentes dos beats, a geração 80 herdou a liberdade sexual, o rock e a apologia às drogas, mas, em grande parte, os alternativos oitentistas optaram por outra rota, que o pesquisador Cesar Augusto de Carvalho, autor do livro Viagem ao Mundo Alternativo (Editora Unesp), encontrou numa viagem de moto por dois terços do território brasileiro em busca da contracultura.
Caretinhas, conservadores ou não, eles se recusaram a ser como os nossos pais da contracultura do pós-guerra: Kerouac, Lawrence Ferlinghetti, Allen Ginsberg, Gary Snyder e Allan Watts.
Quero chamar a atenção para uma espécie de lacuna que observei naquele período. Ela consta em meu diário: Falta poesia. Não há poema no ar. Minha expectativa era encontrar numerosos poetas entre os alternativos. O que, evidentemente, não aconteceu, relata.
Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), doutor em História pela Unesp, Carvalho já produziu e dirigiu filmes e vídeos e, nessa pesquisa on the road, descobriu atrás da geração Coca-Cola, jovens que sabiam o que queriam.
Numa moto Honda CG 125, Carvalho fez a viagem em partes. O maior percurso foi realizado em 1986. Ele partiu da cidade paulista de Marília, onde morava e lecionava, com direção à Amazônia, cruzando o Nordeste, Sudeste até o Centro-Oeste. Alguns trechos também foram percorridos de ônibus, barco e avião.
Imprevistos não faltaram na aventura. Na última vez que a moto deixou o pesquisador na mão, ele teve que abandoná-la numa oficina de Brasília e voltar para São Paulo de ônibus.
Num balanço da viagem à contracultura dos anos 80, Carvalho diz que os jovens que proclamaram um interdito às drogas químicas, mas mantinham um acordo tácito à maconha, cogumelos e afins, deram um grande passo para o movimento ecológico - a onda que faz a cabeça no início deste século.


