Nua e crua
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Anna Bittencourt<br>TV Press 
De uns tempos para cá, a Band vem se empenhando cada vez mais em mostrar um jornalismo fora do convencional. A primeira empreitada fora os telejornais da emissora foi com o extinto "CQC". Também criado pela produtora argentina Eyeworks, "A Liga" volta a partir de segunda-feira para sua sexta temporada. O programa está sempre atrás de pautas polêmicas para contar em forma de matérias "vividas" por seus repórteres, que não se distanciam do foco de sua investigação. Pelo contrário, acabam experimentando situações parecidas com eles.
A novidade para o novo ano é a entrada de Guga Noblat e Maria Paula. Apesar de ter ficado conhecida no humor, a ex-"Casseta & Planeta" viu o convite com bons olhos. "É incrível que eu possa começar do zero depois de 25 anos de carreira", comemora.
O ritmo puxado das gravações que já fez atrizes como Tainá Müller e Rosanne Mullholand desistirem da produção não a assusta. "A abordagem não é careta. Vai direto ao ponto, sem anestesia. E isso é a minha cara", explica ela, ressaltando que teve uma crise de choro após a primeira gravação, em um cemitério clandestino. "É duro, mas é a vida. E a gente não pode querer mudar a realidade sem conhecê-la", explica.
Para Noblat, sua experiência em quadros jornalísticos do "CQC" o ajudou na gravação de "A Liga". "Sempre vi o programa e sonhava em participar. Quando rolou a oportunidade de fazer um teste, não pensei duas vezes", conta, animado. Apesar disso, gravar o episódio sobre o submundo das favelas em guerra mexeu com suas estruturas. "É um tipo de jornalismo que tem de se dedicar de corpo e alma. A gente acaba se envolvendo com a história dos entrevistados e chega uma hora em que fica difícil aguentar o tranco", lamenta.
Além de falar das comunidades, a produção abordará temas como o "book" rosa, o trabalho da Polícia Científica e a vida nos bailes funks, entre outros. O programa que estreia a série de 11 episódios da nova temporada trata da vida de luxo dos bilionários brasileiros. Para isso, Mariana Weickert foi até Orlando, nos Estados Unidos. "Foi bem diferente fazer esse tema. Mas acho legal mostrar que a felicidade não está atrelada à vida financeira. Mesmo com dinheiro, eles encontram dificuldade em outros quesitos", explica.
Ao lado de Taíde, que está desde a primeira temporada, Mariana agora compõe o time de veteranos de "A Liga" este será seu quarto ano no programa. Para eles, que comandaram juntos e sozinhos a última edição, trazer mais repórteres amplia a visão do programa, proporcionando ao telespectador novas maneiras de enxergar diferentes fatos. "A gente não só reporta. A gente vive aquilo. Ter novas pessoas agrega impressões e visões porque cada um tem uma bagagem diferente e lida com a realidade de uma forma diferente", opina Mariana.
Já Taíde pretende usar sua experiência para que o clima não fique tão pesado. "Às vezes, a gente acaba de gravar e fica arrasado, triste, frustrado. É preciso manter os pés no chão. Cada um de nós precisa arranjar ferramentas para lidar com aquilo", reflete.
Fora a chegada de dois novos participantes, "A Liga" tem outras mudanças. Além da nova data de exibição agora às segundas, no lugar do "CQC" , o diretor Diego Pignataro antecipa que a nova temporada contará com mudanças estéticas. "Optamos por levar uma pegada mais cinematográfica, mais realista. Isso acaba aproximando quem está assistindo", acredita ele, dizendo que a mudança foi devido à exibição da série "Crônicas do Presídio", apresentada pela emissora no ano passado.
Serviço:
"A Liga" Estreia segunda-feira, às 22h45, na Band


