FOLIA Nu na avenida do samba Bloco de Cascavel não acata pedidos e pressões e vai levar ao desfile integrantes sem roupa DivulgaçãoJuliney Roberto, carnavalesco do Unidos, não aceita pressões: ‘‘Vamos homenagear os 500 anos do Descobrimento e, como se sabe, índio não usava paletó’’ Paulo Pegoraro De Cascavel Coordenadores do bloco Unidos de Cascavel, o maior e mais popular entre os que desfilarão na noite de domingo na Avenida Brasil, não está disposto a se submeter a pedidos e pressões para que não leve o nu para o desfile. Vice-campeão no ano passado, o Unidos está completando 10 anos, tendo surgido exatamente no ano em que começou a ser realizado o Carnaval de Rua da cidade. O carnavalesco Juliney Roberto disse ontem que a polêmica surgida em torno do nu, com contestações de ‘‘conservadores’’, acabou estimulando a discussão interna sobre o caso. Como o Unidos mostrará enredo contando a história dos 500 anos do Brasil, os ‘‘verdadeiros donos da terra’’, os índios, estarão representados, ‘‘e, como se sabe, índio não usava paletó e índia não usava longo’’. Juliney acrescenta que coordenadores do bloco chegaram a receber até mesmo ameaças - de pessoas que prefere não identificar - de represálias na noite do desfile, caso o nu esteja presente. ‘‘Isso não nos intimida’’, diz o carnavalesco. O Conselho Tutelar pediu apenas para que não haja menores com corpos exageradamente expostos, e o secretário municipal de Cultura pediu ‘‘moderação’’. A coordenadora do Unidos é Malvina Matoso, que integra um dos Conselhos Tutelares da cidade, por isso ela evita se envolver mais abertamente na polêmica. No entanto, Malvina observa que há ‘‘muita hipocrisia envolvida na questão, enquanto os índios não tinham maldade, e nós também não.’’ Além disto, mulheres com seios de fora são tradição na Unidos. O carro abre-alas tradicional do bloco sempre encena o ‘‘paraíso’’, com ‘‘Eva’’ e a ‘‘serpente’’ - e a mulher de Adão, como se sabe, no máximo ‘‘vestiu’’ uma folha de parreira. Júlia Matoso, filha de Malvina e também coordenadora, diz que todos no bloco estão ‘‘chateados com a maldade que fazem com esta importante manifestação cultural’’. Segundo ela, os índios ‘‘eram e são muito mais limpos que os falsos moralistas’’.