Os acordes afinados e a brasilidade da música do multi-instrumentista André Siqueira agora ganham novos rumos. Recentemente contemplado na premiação do Rumos Itaú Cultural, na categoria música, ele se prepara para gravar CD, DVD e uma série de programas de TV onde o objetivo é mostrar o que há de mais diversificado e de qualidade no ramo musical brasileiro. ''É um prêmio importante, com 10 anos de história, que faz um mapeamento importante do que acontece no Brasil na área da música'', comenta Siqueira, um dos 30 selecionados dentre 393 inscritos na sua categoria. Ao todo, considerando as categorias Coletivo, Infantil, Homenagem e Mapeamento, foram 2.699 inscritos, sendo 74 pessoas selecionadas. De Curitiba, ainda foram contemplados Carlos Careqa (Mapeamento) e Maxixe Machine (Infantil), que concorreu com nomes como Pato Fu e Barbatuques, também vencedores.
Selecionado na categoria Coletivo, inédita no programa (assim como a infantil), Siqueira agora terá que se reunir com mais três artistas selecionados para criar uma obra coletiva. No seu caso, participam a pianista Délia Fischer (RJ), o guitarrista Guilherme Darisbo (RS) e o percussionista Loop B (SP). ''Os primeiros ensaios começam em dezembro e vamos ter um produtor só para o nosso grupo. Vai ser um desafio, é um processo instigante'', destaca Siqueira, que concorreu ao prêmio com três músicas - duas canções de Pereira da Viola e Wilson Dias e uma instrumental de sua autoria.
Aliás, a música instrumental é a sua linguagem sempre em busca de uma identidade própria. Arraigado na cultura popular, Siqueira conta que o violão é seu instrumento principal, mas não dispensa o bandolim, a guitarra portuguesa, a viola caipira, o contrabaixo e a flauta transversal - sem nunca descartar a possibilidade de assumir novos desafios instrumentais. ''A música está na cabeça e não na ponta do dedo. O instrumento é a ferramenta para tornar possível uma ideia'', avalia, destacando o trabalho do luthier londrinense Nilson Demare pelo som de qualidade.
Formado pela UEL - onde leciona - há dez anos, e com mestrado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Siqueira agora está fazendo doutorado em Ciências Sociais na Unesp, de Marília, onde pesquisa o pensamento social da trilha sonora de filmes de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Ele ainda participa como colaborador de um projeto de extensão do curso de música da UEL no Colégio Estadual Ana Garcia Molina. ''O importante é tornar a música disponível; considerá-la como transformadora da realidade, e não o tocar em si'', defende.
Siqueira ainda lamenta que os projetos culturais da cidade não valorizem a música instrumental e considera que falta fomento para a produção local. ''O mais difícil é viver da sua própria composição, da sua própria linguagem, e Londrina deveria aproveitar a sua falta de tradição, por ser uma cidade jovem, para aproveitar o lado bom de poder fundir linguagens'', sugere. Quem quiser conferir parte do talento de André Siqueira pode ouvir o CD Lithos (2003), que está sendo distribuído pela Tratore em todo Brasil. Para o ano que vem, ele está preparando outro CD autoral, intitulado Catamarã.

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