Em cartaz em diversos cinemas do País, o filme "Não Pare na Pista" narra diversas fases vividas por Paulo Coelho até se tornar o badalado escritor que já vendeu mais de 100 milhões de livros em cerca de 150 países. O longa-metragem também marca uma virada profissional na carreira da jornalista Chiara Papali. Ex-repórter da FOLHA, ela trocou o jornalismo pela área de produção cinematográfica e fez seu primeiro trabalho como assistente de direção na película que conta a trajetória do autor de "O Diário de Um Mago".
No subtítulo de "Não Pare na Pista", o diretor Daniel Augusto promete contar "a melhor história de Paulo Coelho". Para isso, a roteirista Carolina Kotscho, que já havia trabalhado no filme "2 Filhos de Francisco", optou por dividir a vida do escritor em três períodos: adolescência, juventude e os dias atuais. A maioria das cenas se passa nas décadas de 1970 e 1980.
Em sua estreia nos bastidores da "sétima arte", a jornalista Chiara Papali esteve diretamente envolvida com os figurantes que atuaram na trama e ajudaram a retratar a época em que a história se passa. "Eu escolhia a figuração de acordo com o briefing das cenas, marcava as datas em que eles iriam filmar e, no dia da filmagem, cuidava para que estivessem prontos, com figurino e maquiagem, na hora certa. Também marcava a figuração, que é basicamente ver o enquadramento de câmera e com isso posicionar os figurantes e coordenar sua movimentação", descreve.
Chiara detalha alguns dos cuidados que foram imprescindíveis para dar credibilidade às cenas com figuração. "Tínhamos que ter todo um cuidado para retratar o período narrado no filme. Não podia ter mulheres com cabelo com luzes e silicone ou homens com corte de cabelo "estilo Neymar", por exemplo. Algo tão comum hoje em dia, mas que não existia na época que o filme retrata", argumenta.
Ela revela ainda que foi obrigada a lidar com algumas situações inusitadas nos sets de filmagem. "Teve um dia que a gente estava filmando na Urca a cena em que a mãe de Paulo anda com ele de carro, voltando da internação no hospital psiquiátrico. O carro, claro, era de época. Tem um hora que o personagem vê as pessoas andando no calçadão da praia. A câmera estava posicionada em um carro que ia passar pelo local onde os figurantes estavam posicionados. Eu, do outro lado da calçada, daria o sinal para a figuração quando a primeira assistente de direção me avisasse pelo rádio. No primeiro take, deixei a figuração preparada e quando virei as costas para ir para a outra calçada eles pegaram seus celulares enquanto esperavam. Dei uma bronca! Imagina, nos anos 1960 banhistas usando smartphones", lembra aos risos.
E as novidades não pararam por aí. "Quando você está filmando, a prioridade é o set, todo o resto pode esperar. Um dia de filmagem é muito caro, pelo tamanho da equipe, do elenco e pelos equipamentos que estão ali sendo usados. Um dos desafios é o tempo de trabalho, que chega a 12 horas por dia quando você está filmando. E os horários malucos, teve dia que cheguei em casa às seis horas da manhã para dormir e voltei para trabalhar às seis da tarde", exemplifica.
Após a conclusão do trabalho, que levou três semanas de pré-produção e nove semanas de filmagem, Chiara diz que ficou satisfeita e surpresa ao ver o resultado de seus trabalhos na telona. "Gostei muito! Engraçado é que têm muitas cenas que acabaram não entrando no filme. E outras, que deram muito trabalho para filmar como o show do Raul Seixas e do Paulo Coelho gravado na Fundição Progresso com 300 figurantes, entraram tão pouquinho. Mas cinema é isso", enfatiza.
Formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Chiara trabalhou como repórter da FOLHA por dez anos. Ao se desligar do jornal, mudou-se para o Rio de Janeiro e fez um curso na Academia Internacional de Cinema e Televisão (AiCTV).
A oportunidade de trabalhar com produção surgiu logo em seguida. "Uma das diretoras da AiCTV me ligou perguntando se eu queria que ela me indicasse para um estágio pra trabalhar no filme "O Peregrino", que depois de pronto recebeu o nome "Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho", conta.
Chiara diz que abraçou definitivamente a nova profissão. "No último ano só trabalhei com cinema, em longas e em filmes publicitários. Meu último trabalho, que deve estar nas telas no ano que vem, foi um filme maravilhoso chamado 'Campo Grande', da diretora Sandra Kogut. Nele tive o prazer de trabalhar com a Fátima Toledo, grande preparadora de elenco, conhecida por ter feito 'Cidade de Deus' e 'Tropa de Elite'", salienta.
No momento, a jornalista não pensa em voltar a trabalhar com jornalismo. "Eu sempre falo que fui muito feliz com jornalismo, mas finalizei uma fase da minha vida. Eu sempre brinco: 'a gente não precisa ser uma coisa só na vida, a gente pode ser tanta coisa!'", conclui.

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