Criador do termo "Panc", Valdely Kinupp, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Doutor em Fitotecnia-Horticultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), lançou, há um ano, o livro "Plantas Alimentícias não Convencionais (Panc) no Brasil" (Ed. Plantarum), resultado de 10 anos de trabalho juntamente com Harri Lorenzi.
Na edição, os autores apresentam plantas nativas e exóticas (espontâneas e cultivadas), consumidas no passado e ou em alguma região do País e do mundo. O livro traz a apresentação das características para a identificação de 351 espécies (a estimativa é de que existam mais de 3 mil espécies no Brasil), informações sobre seu uso geral e culinário com a demonstração de mais de mil receitas receitas ilustradas. Todas as receitas do livro foram desenvolvidas por ele em parceria com sua funcionária.
Em entrevista à FOLHA, Kinupp, que se graduou em Ciências Biológicas pela Universidade Esatdual de Londrina, conta que a motivação em pesquisar as Pancs partiu de seu interesse em divulgar a segurança e soberania alimentar à população, e propor novas plantas para serem incorporadas à dieta humana.
"Existe uma mesmice de alimentos que, por serem comerciais, são ingeridos o ano todo. Além disso, estes nem sempre são potencialmente nutritivos, sem falar na alta quimificação da agricultura atual. Esta pesquisa populariza a biodiversidade brasileira para trazer nutrientes novos – como oligoelementos -, além de novos sabores, texturas e aromas. Tento desmistificar, também, que as Pancs não são – somente – para animais, para pobres, ou serem capinadas, roçadas e exterminadas da horta. São apenas plantas rústicas negligenciadas pelo imperialismo gastronômico", explica.
Tal preconceito, conforme o pesquisador, precisa ser superado para que a matriz agrícola seja revista e possibilite novas formas de alimentação. "Como são plantas (folhas, flores e frutos) inexploradas comercialmente, ainda não são encontradas no mercado. Há alguma coisa na feira, mas também é difícil. Mas basta andar em qualquer praça, terreno baldio e vales para encontrar várias delas. E como são resistentes, podem ser cultivadas na horta de casa e até mesmo apartamento, quando elas não aparecem espontaneamente."
A quebra de tabu, para ele, deve ser iniciada pelos profissionais, sobretudo chefs de cozinha, engenheiros alimentares, nutricionistas, gastrólogos e, também, a mídia. "Mais importantes são as políticas públicas e incentivo às pesquisas. Quanto mais divulgação houver, mais possibilidades e preparos vão existir." (M.T.)

mockup