Novos Cds
São Paulo, 15 (AE) - Alguns novos CDS que estão no mercado Michael Hutchence - As moças amavam esse sujeito. Mesmo assim, ele se matou por causa de um amor não correspondido. Michael Hutchence, o cantor do INXS, enforcou-se pateticamente com um cinto aos 37 anos num hotel luxuoso de Sydney, Austrália, em novembro de 97. Claro que sua morte não ia ficar assim impune. Há um disco póstumo. Chama-se simplesmente Michael Hutchence (Roadrunner Records) e acaba de sair. Em faixas como "Possibilities", descobrimos que a estupidez foi maior do que pensávamos: esse sujeito tinha um futuro luminoso pela frente no mundo do pop. Ele canta às vezes com a puissance de Bono Vox, noutras com a frieza de Bowie. Music for Our Mother Ocean - Os Beach Boys foram a primeira referência. Mas o que dizer de uma coletânea de surf music que reúne boa parte da história da música praieira? É uma belezura esse material aqui, reunido em "Music for Our Mother Ocean (Roadrunner). Tem Beck, Beastie Boys, Butthole Surfers, Janes Addiction, Paul McCartney and Wings, Sprung Monkey e - claro - o papa Brian Wilson, acompanhado de Brian Setzer. Apesar de ser por uma boa causa (a renda vai para a Surfrider Foundation), eles evitaram os clichês na reunião. Snoop Dogg aparece com o pessoal do Rage Against the Machine, em Snoop Bounce. Tem os pesados e os levíssimos, como Chris Isaak. Maré tranquila. World Coming Down - Muito antes de Orgy, Rob Zombie e Marilyn Manson, o Type O Negative já buscava fazer um som sombrio, cavernoso, vindo da mais recôndita caverna dos filmes B. O post-metal dos rapazes do Brooklyn, que já despertou até um culto de neovampirismo em Nova York, está de volta com "World Coming Down (Roadrunner Records). Não é para levar a sério, mas o fato é que o barulho deles é bem legal. Não tem a sofisticação eletrônica do Rammstein e outros correlatos, mas o vocal de fim de mundo de Peter Steele é cool. "Nós somos só uns 300 quilos de carne fazendo um monte de barulho", define Steele. Talvez o melhor barulho que chega neste fim de ano. Reload- Instituição do rock britânico, o cantor Tom Jones recebeu uma homenagem de seus conterrâneos no disco "Reload" (Roadrunner). The Cardigans, Stereophonics, Robbie Williams, Van Morrison, Simply Red, The Pretenders, Portishead e outros prestam tributo ao cancioneiro de Tom Jones, em duetos com o próprio. Essas parcerias raramente terminam em boa coisa. É o caso. O formalismo roqueiro de Jones relega as sutilezas do Stereophonics ao vocal de apoio e soa alienígena no encontro com os Cardigans. Melhor fica o encontro com Van Morrison, em "Sometimes We Cry. She Drives me Crazy com Zucchero é palhaçada, brega até a raiz dos cabelos. E A Alegria Continua - Dos três "novos" gaúchos que pintaram na parada, Jupiter Apple e esse esquisito Flu são os que se saíram melhor. ..."E A Alegria Continua" (Trama), de Flu, é uma neobossa que lembra aqui e ali o Smoke City. Flu é Flávio Santos, ex-baixista do grupo DeFalla, que envereda agora por uma experiência totalmente oposta à de sua antiga banda. Na gíria clubber, poderíamos dizer que esse é um disco "fofo". Não há cantoria, a voz é usada por meio de sintetizadores com uma função percussiva. Trata-se de um lounge eletrônico de sangue bom, que evoca aquele climão do "arrojo desenvolvimentista" dos anos JK. Totalmente déjà vu, totalmente demais. Millionaires - Eis aqui outro retardatário bacana: o grupo britânico James. Suingado até a raiz do cabelo, com aquela massa de referências pós-qualquer coisa que incorpora guitarras do punk rock às lições do pop mais escancarado, "Millionaires" (Universal) é um disco de presença, um mimo. "Just Like Fred Astaire" é puro U2. I Know What Im here for" lembra muito a festinha sonora do Fine Young Canibals. Nas baladas, como a bela Strangers, a voz do cantor Tim Booth soa como a de James Taylor, mas também como a de Thom Yorke. Sua marca indelevelmente pessoal fica por conta da abordagem, moderna, melancólica. Britpop, do bom.





