Grávida de cinco meses, Ivete Sangalo optou por um clima mais intimista e abriu as portas de casa para gravar seu novo álbum solo, ''Pode Entrar'', que chega às lojas no dia 5 de junho, em CD e DVD. Um dia antes, o Multishow exibe, às 21h30, o vídeo. A baiana reuniu, no segundo semestre do ano passado, convidados de peso no estúdio que construiu em seu apartamento, no bairro Campo Grande, em Salvador. Participam nomes como Maria Bethânia, Lulu Santos e sua irmã Mônica San Galo.
Segundo Ivete, o álbum é o mais autoral e diversificado de sua carreira, indo do reggae ao forró - ela assina ''Agora Eu Já Sei'', ''Eu Tô Vendo'', ''Completo'' - do álbum no Maracanã-, ''Sintonia e Desejo'' e ''Vale Mais''. Só três faixas não são inéditas: ''Completo'', ''Brumário'', de Lulu Santos, e ''Meu Maior Presente'', do disco ''Festa'' (2001).
''A possibilidade de gravar em casa me deu um leque maior de opções de sonoridade, mas a predominância é do axé, que é o que eu adoro'', diz. ''Eu diria que é o meu Ipod soteropolitano'', brinca.
A baiana diz que o bebê - ela afirma que não quer saber o sexo - não serviu de inspiração porque o trabalho foi concebido no meio do ano passado. Mas a gestação deu novo sentido às músicas. ''Inevitavelmente, cada canção tem um sentido, tudo se transforma, a gente acaba levando para esse caminho''.
Segundo Ivete, o DVD registra momentos de espontaneidade. ''Nada foi premeditado. Inclusive os momentos de descontração, quando eu recepciono os artistas.'' O amigo Saulo Fernandes - com quem gravou no ano passado o disco infantil ''A Casa Amarela''- é só elogios. ''A ideia é inovadora. Tenho certeza de que as pessoas vão gostar muito.'' Sobraram momentos de emoção, e a presença de Maria Bethânia, diz Ivete, foi especial. ''É uma mulher que representa muita coisa, tanto no sentido profissional - é uma excelente intérprete, preciosista quando vai gravar seus discos - quanto como pessoa, tem uma verdade, e todo mundo a reverencia porque passa isso.'' A primeira gravação com a irmã Mônica San Galo também marcou. ''É a primeira vez que a gente registra. Cantamos juntas desde que eu me conheço por gente. Foi ela quem me iniciou na música objetivamente. Meu pai e minha mãe já eram da música, mas foi ela quem pegou o violão e disse: ''Faça a segunda voz'. Foi quem me ensinou a escutar discos, a apreciar vinil, a ler quem tinha feito o disco, todas essas coisinhas''. Alexandre Lins, que assina a produção ao lado de Ivete, além da direção artística, destaca a dedicação da cantora. ''Até a parte mais técnica ela acompanhou'', diz.
Com o nascimento do bebê previsto para setembro, Ivete diz que a vida de mãe não deve deixá-la muito tempo fora dos palcos. A baiana espera poder cantar no Réveillon deste ano em Salvador. ''Vou me dar ao direito de cuidar do meu rebento. Como o Réveillon vai ser praticamente três meses depois (do parto), eu acho que há possibilidade, acho que vou estar recuperada'', fala. Por enquanto, segue fazendo entre oito e dez shows por mês.
''Meu neném não vai ser filho de uma pessoa que trabalha num frigorífico ou de um empresário de banco, vai ser de uma cantora. Então, acho que Deus escreve certíssimo. Estou tranquilaça'', afirma.

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