Novo telhado do Pavilhão da Bienal estará pronto em setembro
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Júlio Gama 
São Paulo, 10 (AE) - O presidente da Fundação Bienal, arquiteto Carlos Bratke, anunciou hoje que as obras de substituição do telhado do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, estarão concluídas no dia 10. As obras, que estão sendo financiadas pelo Banco Itaú, ao custo de R$ 730 mil, receberam tratamento prioritário da nova diretoria depois que uma chuva de granizo, ocorrida no dia 3 de outubro, destruiu parte do telhado antigo e interrompeu a 24.ª Bienal.
"Esse tipo de obra de infra-estrutura não costuma ser feita porque não aparece e, portanto, não agrada aos políticos"
explicou Carlos Bratke. "As chuvas do ano passado foram um cataclisma, algo que nunca havia acontecido antes". O primeiro evento na gestão Bratke, a 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura, do dia 20 de novembro a 25 de janeiro, já se realizará sob o novo teto do edifício, projetado por Oscar Niemeyer, que aprovou o projeto. As obras do telhado estão sendo feitas pela empresa Imasa, que venceu seis outras empresas em concorrência pública, segundo Bratke, por combinar a melhor tecnologia e custo mais baixo.
Ao longo de três meses, 20 operários da empresa estão desmontando os 12,5 mil metros quadrados da antiga estrutura de madeira com telhas de cimento amianto e substituindo-as por telhas de aço galvanizado (ou zincado) de quase um milímetro de espessura e até 49 metros de comprimento. O aço é fabricado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). "Essas telhas permitem a um homem caminhar sobre elas", informa Bratke. Um temporal como o de outubro, segundo os engenheiros da Imasa, nem sequer amassariam a nova cobertura.
Concluída a substituição do telhado, o presidente da Bienal espera iniciar as reformas na parte elétrica e no sistema contra incêndio. O novo projeto do sistema elétrico prevê a construção de grelhas no teto com possibilidade de realizar múltiplas instalações elétricas e fixar obras sem afetar o teto. O que se faz atualmente é furar o teto para cada nova idéia de iluminação. "Isso acabaria com os fios aparentes e aquele amontoado de fitas crepe coladas nas paredes", diz Bratke. De acordo com o presidente da Fundação Bienal, os R$ 730 mil oferecidos pelo Banco Itaú deverão patrocinar parte da reforma elétrica orçada em R$ 1,2 milhão. As obras de reforma do sistema contra incêndio estão orçadas em R$ 500 mil. A Fundação Bienal está à procura de patrocínio. Foi aunciado ontem também a disposição de a Fundação Bienal transformar o porão do pavilhão na sede de uma escola-oficina a ser criada em parceria com o Senai. A escola-oficina deve formar marceneiros, eletricistas, serralheiros e montadores de exposições para trabalhar em eventos culturais. "A mão-de-obra especializada que existe hoje é muito pequena", explica Bratke. "Não há um local para formação desses profissionais".


