Já saiu o grande álbum do ano. ''Silent Alarm'', disco de estréia da banda Bloc Party, é fenomenal. Parece um híbrido de Strokes e Franz Ferdinand, com explosiva energia adicional. O rótulo ''art rock'', mais uma bobagem inventada pelos críticos britânicos, apareceu em resenhas para definir o trabalho do quarteto londrino.
Bloc Party lidera a safra-2005, que traz nomes como Kaiser Chifers (comentado aqui semana passada), The Bravery, The Subways, 9 Black Alps, Longcut 8 e Magic Numbers todas já badaladas pelo New Musical Express, a revista que aponta o que todo o mundo indie planetário vai ouvir depois. Seja da Europa ou dos Estados Unidos, as bandas emergentes já tem seus primeiros ingles, EPs e álbuns circulando na Internet.
Bloc Party puxa a caravana comandada pelo vocalista Kele Okereke, cujos timbres lembram ocasionalmente Damon Albarn, do Blur. O álbum empolga da primeira à última faixa. Que outra banda de Londres foi capaz de tal proeza nos últimos cinco anos? Leva uma pancada quem citar os Libertines, tão festejados quanto medíocres e que felizmente já estão em fim de linha.
O bacana do Bloc Party é a inspiração que parece receber de bandas de sua geração, como Franz Ferdinand na faixa ''Staiyng Fat'' (cujos riffs de guitarra foram pinçados, com mínima variação, de ''Jacqueline'', um dos hits do quarteto escocês), The Rapture em ''Banquet'' (que adere ao mix de pulso punk e groove funk, marcante no trabalho da banda novaiorquina); e The Strokes em ''Storm & Stress'' e ''The Answer'' (há semelhanças notáveis nos arranjos instrumentais).
Essas três últimas são as jóias do repertório ao lado das não menos fantásticas ''Little Thoughts'', ''Like Eating Glass'' e ''She's Hearning Voices''. Enfim, um disco para entrar na história do pop inglês dividindo as honras com os clássicos. Das demais bandas citadas acima, nenhuma arranca a mesma reação de entusiasmo, embora o single do Longcut 8 prenuncie surpresas com suas canções de vocais desesperados e melodias fragmentadas influenciadas por grupos como Trail of Dead e At the Drive-In.
A novaiorquina The Bravery, por sua vez, bebe na fonte do Duran Duran e do glam rock. Um tecladinho synth-pop pontua todas as faixas. Em alguns momentos, o grupo parece copiar o The Killers, banda-sensação de Los Angeles e cujo álbum de estréia foi aclamado em 2004. A faixa ''No Ring on These Fingers'' é arrebatadora. O trio londrino The Subways, com a menina Charlotte no baixo, segue outras vertentes.
Remete ao rock de garagem de Detroit (EUA) incursionando ainda por outras referências ao emular descaradamente The Hives em ''I Am'' e Nirvana em ''Do You Dig Me Baby''. O Nirvana e a sonoridade grunge ecoam também no 9 Black Alps, cujo repertório de canções destaca as vibrantes ''Cosmpolitan'' e ''I Lana Song''. O Magic Numbers, por fim, destoa das tendências em voga enveredando pelo bucolismo acústico com um pé no folk pop e outro na psicodelia sessentista de bandas pacatas como os The Mamas & The Papas.
Bem, é provável que todos essas bandas soem familiares ao público indie mundial ao fim desta temporada. Mas a fila da molecada não pára de crescer. Já ouvir falar em The Departure, The Dead 60s, The Silent League, The Others, Yeti, The Rakes, Black Wir, Hard-Fi, Johnny Boy, The Features e Thee Unstrung?

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