Frederico Fulgraf dedicará os próximos quatro meses para cuidar da carreira comercial do filme, que deverá ser transmitido por algumas emissoras de TV européias. Ao mesmo tempo, começa a trabalhar num novo projeto, que deverá ter associados brasileiros e alemães. Inicialmente o cineasta assinará contrato para a roteirização com a Radio Bremen (seção Dramaturgia de TV), da Alemanha. Ele adianta que será um documentário mostrando a colonização alemã no norte paranaense, daí surgindo as cidades de Rolândia e Londrina. O foco, porém, será Rolândia, e o período a ser investigado abrange os anos de 1932 a 1945.
Ocorre que uma companhia de colonização da República de Weimar comprou as terras de uma empresa inglesa. O cineasta dirigirá o foco de sua narrativa para os conflitos na região alimentados por diversos fatores, entre eles os ideológicos, já que explode a II Guerra Mundial, o nazismo toma conta da Alemanha e se espalha por países europeus. O drama do semitismo persegue colonos alemães que deixaram o país fugindo de Hitler e sua milícia, mas encontram aqui simpatizantes dos nazistas. São 40 famílias vivendo no fio da navalha.
Fulgraf explica que um deputado federal alemão, que teve seus direitos políticos cassados pelo regime, entregou ao Papa Pio XII uma lista de 3 mil famílias judias para se asilarem no Brasil. Após intensas negociações entre o Vaticano e o governo de Getúlio Vargas (notório simpatizante nazista), foi permitida a entrada para apenas 900 judeus. Desse grupo é que as 40 famílias foram para Rolândia. ‘‘Todas as embaixadas brasileiras no exterior foram instruídas a impedir apoio aos judeus. Meu filme será o primeiro a ter um acerto de contas do passado brasileiro, nessa época’’, afirma o diretor.
(Z.C.L.)

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